A marcha eficiente pode ser dividida em cinco componentes principais: absorção da energia mecânica na fase de apoio ao
corpo; promoção de apoio do corpo; manutenção do equilíbrio postural; elevação do pé na fase de balanço; e, geração de
propulsão para efetuar a progressão para frente. As alterações neuromusculares e as estratégias de compensação decorrentes da hemiparesia interferem diretamente na função coordenativa em indivíduos hemiparéticos, que podem apresentar
deficits em quaisquer dos componentes essenciais da locomoção ou uma associação deles, dependendo do grau e do tempo
da lesão. Ao elaborar um protocolo de treinamento de marcha para um paciente com hemiparesia decorrente de Acidente
Vascular Cerebral (AVC), diversas situações devem ser reconhecidas; analise-as.
I. O hemiparético apresenta marcha com restrições angulares em tornozelo, joelho e quadril; porém, há uma restrição do movimento de flexão plantar que será ineficaz durante a fase de balanço e apoio, gerando, assim, a impossibilidade de o calcanhar
contatar o chão na fase inicial da marcha. Estas alterações estão associadas com um padrão complexo de disfunções incluindo a
espasticidade, a fraqueza muscular, o controle sensório-motor e as alterações mecânicas nos músculos e nas articulações.
II. Com a instabilidade do membro inferior parético durante a fase do apoio, altera-se o equilíbrio, ocasionando aumento da
velocidade na fase de oscilação do membro não parético. As estratégias adotadas por um indivíduo ao realizar a marcha
podem ser diferentes e, quanto maior a deficiência do membro inferior acometido, maior será o gasto energético.
III. Os principais fatores que influenciam o deficit na marcha são as atrofias musculares e suas mudanças fisiológicas no metabolismo e nas fibras musculares tipo I consequentes ao uso excessivo, alterações no suprimento sanguíneo do membro afetado.
IV. Alterações na marcha de indivíduos hemiparéticos são explicadas pela perda dos efeitos tróficos centrais; atrofia neurogênica; perda das unidades motoras; alterações na ordem de recrutamento e na condução dos nervos periféricos – dados que
devem ser considerados no planejamento estratégico de uma sessão terapêutica de treino de marcha.
V. As unidades motoras do lado parético são mais fadigáveis, levando a um deficit de resistência decorrente da diminuição de
recrutamento de unidades motoras e ativação de fibras glicolíticas tipo II, ao invés do recrutamento de fibra tipo I, durante
a atividade dinâmica, reduzindo a capacidade oxidativa dos músculos paréticos com o aumento da produção de lactato na
utilização de glicogênio muscular.
Está correto o que se afirma apenas em