Leia o texto a seguir.
Em um estado como Goiás − onde o devir histórico mostra que
a urbanização se deu de maneira mais expressiva no estender
da segunda metade do século XX, para aqueles sujeitos cuja
vivência familiar foi construída, em boa parte de sua existência,
nos meios rurais, mas que hoje residem na cidade, a roça hoje
se torna um espaço que evoca saudade. E é constantemente
relembrada através das já citadas linguagens e de práticas
como as romarias e o carrear, que vão ganhando o peso de
tradições inventadas para que constantemente se (re) lembre o
que é ser da roça. Neste sentido, a romaria de carros de bois
para Trindade (GO) vai se tornando um ‘monumento’, ainda que
simbólico, que atua na retroalimentação de imagens, ações e
performances que traduzem, para o hoje, a representação da
identidade rural. Deste modo, o rural também é constantemente
(re) criado e o carro de bois se torna a transfiguração material
da imagética rural em desfiles e em romarias.
OLIVEIRA, Túlio Fernando Mendanha. “O carro de bois é a minha vida”:
técnicas e expressões culturais entre carapinas e carreiros no interior de
Goiás. Tese de doutorado em Antropologia Social.
Atualmente em Goiás, é cada vez mais comum a prática de
atividades que remetem a práticas de ruralidades, como
cavalgadas, pamonhadas e outras manifestações. Este tipo
de festividade condensa identidades culturais características,
por vezes religiosidades e são ainda incorporadas pelo
mercado turístico conformando expressiva importância
econômica e, portanto, também cultural. Neste cenário,
Goiás se destaca