A disfagia orofaríngea mecânica é a dificuldade secundária à perda sensorial e/ou muscular de estruturas responsáveis pela
deglutição fisiológica normal. As causas mais comuns são as inflamatórias, as traumáticas, a macroglossia, o divertículo faringoesofágico, as doenças compressivas da coluna cervical, as sondas nasoenterais, a traqueostomia e o câncer de cabeça e pescoço. Sobre
as disfagias mecânicas, assinale a afirmativa INCORRETA.
A As sondas nasoenterais podem interferir mecanicamente na deglutição. A sonda nasogástrica interfere na passagem de alimentos
semissólidos e sólidos, principalmente na transição faringoesofágica. Consequentemente, a permanência de resíduo em hipofaringe
pode acarretar a aspiração após a deglutição. O ideal é manter o tempo menor possível da sonda durante o treino via oral.
B Ocâncer de cabeça e pescoço engloba o câncer de fossas nasais, seios paranasais, nasofaringe, boca ou cavidade oral (lábio, mucosa
bucal, gengivas, palato duro, língua e assoalho), glândulas salivares, orofaringe (amígdalas, palato mole e base de língua), laringe,
hipofaringe e tireoide. Os efeitos potenciais do câncer e/ou de seu tratamento resultam em alterações que variam em frequência
da ocorrência, gravidade e complexidade e podem ocorrer com o tumor, durante a continuidade do tratamento oncológico e/ou
após seu término.
C O tratamento clínico de radioterapia e quimioterapia no câncer de cabeça e pescoço promove sequelas agudas e tardias. As sequelas
agudas observáveis são mucosite, xerostomia, alteração ou perda do paladar e sensibilidade, inapetência, odinofagia, emagrecimento, desidratação e dermatite. Reações tardias envolvem trismo, fibrose, osteorradionecrose, necrose de tecido, cáries, edema
da laringe e paralisia de prega vocal. Além disso, contemplam redução do peristaltismo faríngeo e da elevação laríngea.
D Pacientes com alteração na modulação vocal, especialmente com os sons graves, podem apresentar alteração na elevação laríngea.
A redução na elevação e na duração da excursão laríngea pode ocasionar estase em valécula, seios piriformes e transição
faringoesofágica; porém, não favorece grande risco de penetração e/ou aspiração laringotraqueal devido à integridade das demais
estruturas e mecanismos eficientes de proteção de vias aéreas inferiores.