As lesões de cárie (sinais de doença) ocorrem apenas nas superfícies dentárias
onde as bactérias aderem, formam biofilmes na presença de açúcares e se acumulam por um longo período, sujeitas a exposições frequentes aos açúcares da
dieta. Trata-se de uma doença crônica que se desenvolve com perda progressiva
da parte mineral dos dentes, até a destruição total da superfície dentária onde há
acúmulo de biofilme e sua exposição frequente a açúcares. No início, essas perdas
não são visíveis clinicamente, e enquanto as lesões subsuperficiais de cárie no
esmalte (coroa dentária) só são detectáveis a olho nu quando surge uma opacidade de mancha branca, as de dentina são diagnosticadas pelo amolecimento da
superfície radicular. A cárie é uma doença biofilme-açúcar dependente, que provoca uma destruição ácida progressiva da estrutura mineral dos dentes, originando
as lesões. Como doença, ela não é passível de ser erradicada ou prevenida, porque implicaria em um controle absoluto de consumo de açúcar, o vilão responsável
pelo desenvolvimento da doença. Assim, no mundo ocidental em que vivemos,
podemos diferenciar as pessoas pela velocidade que as lesões de cárie progridem
e assim são clinicamente detectadas. Tendo em vista a dificuldade de uma restrição absoluta a carboidratos da dieta e as limitações da limpeza dos dentes como
intervenção isolada para o controle de cárie, o uso de fluoretos é uma estratégia
que tem se mostrado indispensável para o controle de cárie. Há vários meios de
usar fluoreto, desde os de impacto em saúde coletiva, como a fluoretação das
águas de abastecimento público, como o mais racional, que é aliar a desorganização periódica dos biofilmes dentais (escovação) com a aplicação diária de fluoreto
(fluorterapia), simplesmente escovando os dentes com pasta fluoretada.
A esse respeito, considere as seguintes afirmações:
I. O principal efeito do flúor é interferir físico-quimicamente no desenvolvimento da cárie, reduzindo a desmineralização e aumentando a remineralização do esmalte dentário, sem promover, significativamente, um efeito
antimicrobiano na placa dentária.
II. Para um efeito máximo do controle de cárie, além da utilização racional do
fluoreto, é imprescindível que o consumo de açúcar seja disciplinado, pelo
menos quanto à frequência diária de consumo, e que os biofilmes dentários sejam diariamente desorganizados pela escovação dos dentes.
III. Não há justificativa suportada por evidências científicas para a recomendação clínica de dentifrícios de alta concentração de fluoreto (5.000 ppm
F), independentemente da idade ou do risco de cárie do paciente.
Está CORRETO o que se afirma em: