Hobsbawm, em seu livro “A era dos extremos”, faz uma
reflexão a respeito do impacto e dos custos humanos da era
de guerras, buscando explicar a crescente brutalidade e
desumanidade do século XX:
O aumento da brutalização deveu-se não tanto à liberação
do potencial latente de crueldade e violência no ser humano,
que a guerra naturalmente legitima, embora isso certamente
surgisse após a Primeira Guerra Mundial entre um certo tipo
de ex-soldados (veteranos), sobretudo nos esquadrões da
morte ou arruaceiros e “Brigadas Livres” da ultradireita
nacionalista. Por que homens que tinham matado e visto
matar e estropiar seus amigos iriam hesitar em matar e
brutalizar os inimigos de uma boa causa?
Um motivo importante foi a estranha democratização da
guerra. Os conflitos totais viraram ‘guerras populares’, tanto
porque os civis e a vida civil se tornaram os alvos
estratégicos certos, e às vezes principais, quanto porque em
guerras democráticas, como na política democrática, os
adversários são naturalmente demonizados para fazê-los
devidamente odiosos ou pelo menos desprezíveis.
Com base no fragmento, é CORRETO afirmar que
“democratização da guerra” refere-se: