À prova de formigas
Árvores, cogumelos, aves e formigas se relacionam de
uma maneira que você nem imagina!
Algumas árvores conhecidas como acácias sabem se
defender muito bem. Além de contarem com espinhos
poderosos, elas ainda se associam a formigas guardiãs.
A coisa funciona da seguinte forma: as acácias fornecem
néctar e abrigo para as formigas, que as defendem da
invasão de plantas parasitas e do ataque de animais
herbívoros.
Vigias atentas e eficientes, as formigam mordem e picam
qualquer animal que toca em sua anfitriã vegetal. Quer
dizer... quase todo animal. É que algumas aves
conseguem fazer seus ninhos nos galhos das acácias,
onde acabam se beneficiando do serviço de segurança
24 horas das formigas e, curiosamente, não são
atacadas por elas.
Como essas aves se mantêm livres dos ataques das
formigas era um mistério, mas foi solucionado
recentemente. Cientistas perceberam que diferentes
espécies de aves usam um material muito específico,
semelhante a cordões finos e resistentes, para tecer
seus ninhos nas acácias. Esses cordões são na verdade
rizomorfos, isto é, conjuntos de células de cogumelos,
chamadas hifas. Neste caso, são de cogumelos bem
fininhos e discretos conhecidos como crina-de-cavalo.
Os pesquisadores testaram a reação das formigas ao
terem contato com o cogumelo usado nos ninhos e
perceberam que ele tem mesmo um efeito repelente. Ao
encostarem nos cordões do fungo, as formigas ficam
desnorteadas, giram sem parar e podem até morder
umas às outras, dando sinais de estarem intoxicadas.
Os cogumelos-crina-de-cavalo são usados nos ninhos de
mais de 170 espécies de aves. Isso porque, além de
afastar formigas, esses fungos também parecem manter
os filhotes livres de parasitas, são à prova d'água e mais
resistentes do que materiais de origem vegetal.
Mas não pense que só as aves levam vantagem nisso!
Transportando os cogumelos de um local a outro para
construir seus ninhos, elas ajudam a dispersar esses fungos, levando-os até novas áreas onde eles jamais
poderiam chegar sem essa preciosa carona.
(https://chc.org.br/artigo/a-prova-de-formigas/)