FÁBRICA TROCA HOMENS POR MULHERES, CRIA 'VALE-SALÃO'
E DOBRA PRODUTIVIDADE
Afonso Ferreira, Do UOL, em São Paulo (SP) Em: 03/12/2013 Disponível em: http://economia.uol.com.br/empreendedorismo/noticias/redacao/2013/12/03/fabrica
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Acesso em 21 de janeiro de 2014.
Em meio às faíscas e ao barulho da linha de
produção, lábios com batom e rostos maquiados. Na fábrica
de equipamentos industriais Dimensão Máquinas, em
Trindade (GO), são as mulheres que fazem o trabalho
pesado.
Desde que passou a contratar força de trabalho
feminina para atuar na linha de produção, em 2009, o
empresário Francisco Luciano Alves de Jesus, 37, diz que
a produtividade aumentou e os negócios começaram a
prosperar.
Jesus diz que, enquanto três homens demoravam
45 dias para produzir um equipamento, o mesmo número de
mulheres fazia o serviço em metade do tempo. No ano, eles
produziam a média de oito peças e elas, 16.
"Com os homens, tinha dificuldade para dividir
tarefas porque eles eram mais orgulhosos. Já as mulheres
trabalham melhor em equipe, o que possibilitou o aumento
no quadro de funcionários e, consequentemente, a
produtividade."
[...] A mudança começou quando o empresário
precisou de apoio na produção para dar conta dos pedidos.
"Na época, só tinha eu e três homens na produção. Pedi
para a secretária dar uma força e ela gostou do trabalho.
Conforme a empresa foi crescendo, comecei a contratar
apenas mulheres", diz. A secretária, que hoje não trabalha
mais na fábrica, gostou da atividade e pediu para
permanecer na linha de produção, segundo Jesus. Depois
dela, outras secretárias foram contratadas, mas também
pediram para mudar de setor.
De acordo com o empresário, a inclusão de
operárias na produção começou a incomodar os homens.
"Eles não aceitaram ter mulheres na mesma função e com
o mesmo salário. Em um ano, os três pediram demissão",
declara.
Hoje, a empresa tem 11 funcionárias e quatro
estagiárias e fabrica oito peças por mês. As funções são de
soldadora, eletricista, montadora, torneira mecânica e
pintora. Nenhum homem, além do proprietário, trabalha na
empresa.
Funcionárias são vaidosas e ganham 'vale-salão'
Para premiar a equipe quando uma meta é atingida,
o empreendedor criou o "vale-salão". Elas ganham de R$
50 ou R$ 100 por mês como motivação quando batem a
meta.
"O salão de beleza é apenas uma sugestão para
uso do dinheiro, mas elas podem gastar o benefício como
quiserem", afirma.
[...] Além do "vale-salão", o empresário disponibiliza
estojos com batom, rímel e cremes para as operárias
retocarem a maquiagem durante o expediente.
"Ainda que tenhamos de usar uniforme e o trabalho
seja um pouco desgastante, não deixamos de lado nossa
vaidade", declara a gerente de produção Joice Ioleni da
Silva, 26.
Ambiente misto favorece troca de ideias na empresa
Para a consultora do Sebrae-GO (Serviço de Apoio
às Micro e Pequenas Empresas de Goiás) Paula Cristina
Borges Gomide, as mulheres têm algumas virtudes inatas,
como maior capacidade de concentração e de executar
várias tarefas ao mesmo tempo.
[...] A gerente nacional de recrutamento e seleção
do grupo Manpower, Lisângela Melo, afirma que a
contratação de profissionais não deve levar em
consideração características como sexo, idade, altura,
peso, etnia ou religião. A competência deve ser o quesito
principal.
"Um ambiente misto, com homens e mulheres,
jovens e profissionais experientes, é sempre o mais
indicado, pois favorece a troca de ideias e faz com que um
problema seja analisado com olhares diferentes", declara.