“Um cego me levou ao pior de mim mesma, pensou
espantada. Sentia-se banida porque nenhum pobre beberia
água nas suas mãos ardentes. Ah! era mais fácil ser um
santo que uma pessoa! Por Deus, pois não fora verdadeira
a piedade que sondara no seu coração as águas mais
profundas? Mas era uma piedade de leão.”
(Clarice Lispector, “Amor”, em Laços de família. 20ª ed. Rio de Janeiro:
Francisco Alves, 1990, p. 39.)
Ao caracterizar a personagem Ana, a expressão “piedade
de leão” reúne valores opostos, remetendo
simultaneamente à compaixão e à ferocidade. É correto
afirmar que, no conto “Amor”, essa formulação