Neto de Graciliano, o escritor Ricardo Ramos Filho
conta que a família vinha se preparando há tempos para
esta transição. Anos atrás, houve a renovação do
contrato firmado entre os herdeiros e a editora Record,
que publica a obra completa do autor. “E fizemos um
contrato mais longo. A editora vai continuar pagando
direitos autorais à família até 2029”, relata.
Ramos Filho frisa que toda reedição tem o
acompanhamento da família, com o objetivo de zelar
pela qualidade final. “Sabemos que [agora] muitas
editoras vão publicar sem maiores cuidados, pensando
só no lucro. É claro que nós não gostamos disso”,
comenta ele.
“A lei do domínio público, eu usaria uma palavra muito
forte para definir o que eu penso, acho que é uma
excrescência”, afirma Ramos Filho. Seus argumentos
são de que a legislação só serve para aumentar os lucros
daqueles que exploram as obras do autor.
Ele diz que aprova o fato de que a partir de agora
qualquer pessoa pode acessar livremente a obra a partir
de uma biblioteca on-line, completamente grátis. “Para
isso, não precisaria nem esperar 70 anos, 50 já estava
bom. Acho importante que as pessoas possam acessar a
obra do autor sem pagar, é importante para que ele seja
lido e divulgado. Isso é domínio público.”
O problema, para o herdeiro, é a comercialização. “A
partir de janeiro, qualquer editora vai poder publicar
Graciliano sem pagar os 10% que pagavam de direito
autoral para a família. O livro vai custar mais barato por
causa disso? Não. As editoras vão poder publicar o
autor, não vão pagar direito autoral e vão continuar
cobrando a mesma coisa pelo livro”, avalia. “É isso que
nos revolta. Mas, tudo bem: é lei, e lei a gente pode até
não aceitar, mas a gente acata.”
“A lei de domínio público, da maneira como está posta,
é uma falácia”, enfatiza.
Disponível em: https://www.ocafezinho.com/2024/01/01/o-que-significa-obra-degraciliano-ramos-em-dominio-publico/. Acesso em: 04 jan. 2024.