Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-XBlog
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941200352082

Considerando-se a organização estilística, composicional e temática...

📅 2012🏢 UNIFAP🎯 UNIFAP📚 Língua Portuguesa
#Categorias Textuais#Análise Textual

1

457941200352082
Ano: 2012Banca: UNIFAPOrganização: UNIFAPDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Categorias Textuais | Análise Textual
Texto associado

TEXTO I


Utilize o texto I para responder a questão abaixo.


Trabalhar e sofrer


"Assim como o sofrimento pode nos tornar amargos e até emocionalmente estéreis, o trabalho pode aviltar, humilhar, explorar e solapar qualquer dignidade"


 “O trabalho enobrece” é uma dessas frases feitas que a gente repete sem refletir no que significam, feito reza automatizada. Outra é "A quem Deus ama, ele faz sofrer", que fala de uma divindade cruel, fria, que não mereceria uma vela acesa sequer. Sinto muito: nem sempre trabalhar nos torna mais nobres, nem sempre a dor nos deixa mais justos, mais generosos. O tempo para contemplação da arte e da natureza, ou curtição dos afetos, por exemplo, deve enobrecer bem mais. Ser feliz, viver com alguma harmonia, há de nos tornar melhores do que a desgraça. A ilusão de que o trabalho e o sofrimento nos aperfeiçoam é uma ideia que deve ser reavaliada e certamente desmascarada.


O trabalho tem de ser o primeiro dos nossos valores, nos ensinaram, colocando à nossa frente cartazes pintados que impedem que a gente enxergue além disso. Eu prefiro a velha dama esquecida num canto feito uma mala furada, que se chama ética. Palavra refinada para dizer o que está ao alcance de qualquer um de nós: decência. Prefiro, ao mito do trabalho como única salvação, e da dor como cursinho de aperfeiçoamento pessoal, a realidade possível dos amores e dos valores que nos tornariam mais humanos. Para que se trabalhe com mais força e ímpeto e se viva com mais esperança. 


O trabalho que dá valor ao ser humano e algum sentido à vida pode, por outro lado, deformar e destruir. O desprezo pela alegria e pelo lazer espalha-se entre muitos de nossos conceitos, e nos sentimos culpados se não estamos em atividade, na cultura do corre-corre e da competência pela competência, do poder pelo poder, por mais tolo que ele seja.


Assim como o sofrimento pode nos tornar amargos e até emocionalmente estéreis, o trabalho pode aviltar, humilhar, explorar e solapar qualquer dignidade, roubar nosso tempo, saúde e possibilidade de crescimento. Na verdade, o que enobrece é a responsabilidade que os deveres, incluindo os de trabalho, trazem consigo. O que nos pode tornar mais bondosos e tolerantes, eventualmente, nasce do sofrimento suportado com dignidade, quem sabe com estoicismo. Mas um ser humano decente é resultado de muito mais que isso: de genética, da família, da sociedade em que está inserido, da sorte ou do azar, e de escolhas pessoais (essas a gente costuma esquecer: queixar-se é tão mais fácil).


Quanto tempo o meu trabalho – se é que temos escolha, pois a maioria de nós dá graças a Deus se consegue trabalhar por um salário vil – me permite para lazer, ou o que eu de verdade quero, se é que paro para refletir sobre isso? Quanto tempo eu me dou para viver? Quanto sobra para meu crescimento pessoal, para tentar observar o mundo e descobrir meu lugar nele, por menor que seja, ou para entender minha cultura e minha gente, para amar minha família?


E, se o luxo desse tempo existe, eu o emprego para ser, para viver, ou para correr atrás de mais um trabalho a fim de pagar dívidas nem sempre necessárias? Ou apenas não me sinto bem ficando sem atividade, tenho de me agitar sem vontade, rir sem alegria, gritar sem entusiasmo, correr na esteira além do indispensável para me manter sadio, vagar pelos shoppings quando nada tenho a fazer ali e já comprei todo o possível – muito mais do que preciso, no maior número de prestações que me ofereceram? E, quando tenho momentos de alegria, curto isso ou me preocupo: algo deve estar errado?


Servos de uma culpa generalizada, fabricamos caprichosamente cada elo do círculo infernal da nossa infelicidade e alienação. Essas frases feitas, das quais aqui citei só duas, podem parecer banais. Até rimos delas, quando alguém nos leva a refletir a respeito. Mas na verdade são instrumento de dominação de mentes: sofra e não se queixe, não se poupe, não se dê folga, mate-se trabalhando, seja humilde, seja pobre, sofrer é nosso destino, darás à luz com dor – e todo o resto da tola e desumana lavagem cerebral de muitos séculos, que a gente em geral nem questiona mais.


FONTE: LUFT, Lya. In. VEJA, nº 2148, de 20/01/2010. 

Considerando-se a organização estilística, composicional e temática do texto, é CORRETO afirmar que “Trabalhar e sofrer” configura-se como:
Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão

Esta questão foi aplicada no ano de 2012 pela banca UNIFAP no concurso para UNIFAP. A questão aborda conhecimentos da disciplina de Língua Portuguesa, especificamente sobre Categorias Textuais, Análise Textual.

Esta é uma questão de múltipla escolha com 5 alternativas. Teste seus conhecimentos e selecione a resposta correta.

Acelere sua aprovação com o Premium

  • Gabaritos comentados ilimitados
  • Caderno de erros inteligente
  • Raio-X da banca
Conhecer Premium

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200008735Língua Portuguesa

Com relação ao sujeito discursivo presente no texto, verificamos que há predomínio da:

#Análise Textual#Tipos Textuais
Questão 457941200203405Língua Portuguesa

Considerando a organização discursiva dos gêneros textuais, pode-se afirmar que em artigos de opinião há o predomínio de:

#Categorias Textuais#Análise Textual
Questão 457941200366510Língua Portuguesa

O último parágrafo é iniciado com o seguinte período: “Servos de uma culpa generalizada, fabricamos caprichosamente cada elo do círculo infernal da no...

#Análise Textual
Questão 457941200559088Língua Portuguesa

A partir da leitura do texto, infere-se que a autora defende:

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941200751619Língua Portuguesa

A partir da leitura e considerando as pistas textuais, pode-se inferir que os “sem base”, na visão da autora, são:

#Análise Textual
Questão 457941200889512Língua Portuguesa

Na passagem: “Sempre me preocupam posições aleatórias ou radicais, com ou sem fundo ideológico, com respeito à formação étnica e cultural do Brasil (a...

#Pontuação#Emprego da Vírgula#Sintaxe#Emprego em Orações Intercaladas#Vocativo e Termos Acessórios da Oração
Questão 457941201438112Língua Portuguesa

No 4º parágrafo, no primeiro período, Lya Luft apresenta seu posicionamento quanto à comemoração de datas culturais: “E gostaria que não só pequenas c...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201587273Língua Portuguesa

No quinto e sexto parágrafos a autora faz alguns questionamentos que objetivam:

#Análise Textual
Questão 457941201692639Língua Portuguesa

Analise as afirmativas abaixo quanto à coesão textual, considerando as marcações feitas nos fragmentos. A seguir assinale a alternativa que contém as ...

#Análise Textual#Estrutura Textual
Questão 457941201917362Língua Portuguesa

O excerto “Assim como o sofrimento pode nos tornar amargos e até emocionalmente estéreis, o trabalho pode aviltar, humilhar, explorar, solapar qualque...

#Semântica Contextual#Reescrita Textual#Análise Textual

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre Categorias TextuaisQuestões do UNIFAP