Leia o poema a seguir.
Hidrografia
Os rios de Goiás, além de rios
de verdade, têm peixes, bichos, lendas.
Têm várzeas e vãos e seus resfrios
no fundo dos gerais e das fazendas.
Neles me batizei, levei meu couro,
aprendi a nadar e, bem menino,
fui-me encontrando neles, no tesouro
que imaginava haver no meu destino.
No Meia-Ponte, armei os infinitos
da minha vida e andei sobre a corrente,
pronunciando a tônica dos mitos
espalhados nas margens pela enchente.
TELLES, Gilberto Mendonça. Hidrografia. In: Hora aberta: poemas reunidos.
Petrópolis, RJ: Editora Vozes, 2002.
O poema mostra os rios como