Ícone Questionei
QuestõesDisciplinasBancasDashboardSimuladosCadernoRaio-XBlog
Logo Questionei

Links Úteis

  • Início
  • Questões
  • Disciplinas
  • Simulados

Legal

  • Termos de Uso
  • Termos de Adesão
  • Política de Privacidade

Disciplinas

  • Matemática
  • Informática
  • Português
  • Raciocínio Lógico
  • Direito Administrativo

Bancas

  • FGV
  • CESPE
  • VUNESP
  • FCC
  • CESGRANRIO

© 2026 Questionei. Todos os direitos reservados.

Feito com ❤️ para educação

/
/
/
/
/
/
  1. Início/
  2. Questões/
  3. Língua Portuguesa/
  4. Questão 457941200399595

Tendo como referência os elementos que constituem os diversos gêner...

📅 2017🏢 PR-4 UFRJ🎯 UFRJ📚 Língua Portuguesa
#Categorias Textuais#Análise Textual

1

457941200399595
Ano: 2017Banca: PR-4 UFRJOrganização: UFRJDisciplina: Língua PortuguesaTemas: Categorias Textuais | Análise Textual
Texto associado

                                             TEXTO 4


      Adiante, o célebre conto Um Apólogo, de Machado de Assis. Leia-o, com atenção, e responda às questões propostas a seguir.


                                     “UM APÓLOGO

      Era uma vez uma agulha, que disse a um novelo de linha:

      — Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma cousa neste mundo?

      — Deixe-me, senhora.

      — Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável? Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

      — Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

      — Mas você é orgulhosa.

      — Decerto que sou.

      — Mas por quê?

      — É boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose, senão eu? — Você? Esta agora é melhor. Você é que os cose? Você ignora que quem os cose sou eu e muito eu?

      — Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição aos babados...

      — Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás obedecendo ao que eu faço e mando...

      — Também os batedores vão adiante do imperador.

      — Você é imperador?

      — Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só mostrando o caminho, vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

      Estavam nisto, quando a costureira chegou à casa da baronesa. Não sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista ao pé de si, para não andar atrás dela. Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou a coser. Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis como os galgos de Diana — para dar a isto uma cor poética. E dizia a agulha:

      — Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando abaixo e acima...

      A linha não respondia; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa e ativa, como quem sabe o que faz, e não está para ouvir palavras loucas. A agulha, vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando. E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic-plic-plic da agulha no pano. Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte. Continuou ainda nessa e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile.

      Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. E enquanto compunha o vestido da bela dama, e puxava de um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, acolchetando, a linha para mofar da agulha, perguntou-lhe:

      — Ora, agora, diga-me, quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio das mucamas? Vamos, diga lá.

      Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:

      — Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto aí ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico.

      Contei esta história a um professor de melancolia, que me disse, abanando a cabeça:

      — Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!” 

Tendo como referência os elementos que constituem os diversos gêneros textuais, pode-se afirmar que no conto Um Apólogo há marcas características de:
Gabarito comentado
Anotações
Marcar para revisão

Esta questão foi aplicada no ano de 2017 pela banca PR-4 UFRJ no concurso para UFRJ. A questão aborda conhecimentos da disciplina de Língua Portuguesa, especificamente sobre Categorias Textuais, Análise Textual.

Esta é uma questão de múltipla escolha com 5 alternativas. Teste seus conhecimentos e selecione a resposta correta.

Acelere sua aprovação com o Premium

  • Gabaritos comentados ilimitados
  • Caderno de erros inteligente
  • Raio-X da banca
Conhecer Premium

Questões relacionadas para praticar

Questão 457941200319584Língua Portuguesa

“Esquece-se dos outros porteiros; parece-lhe que o porteiro é o único [...]”. O uso do termo destacado sugere que:

#Morfologia dos Pronomes#Colocação Pronominal
Questão 457941200579037Língua Portuguesa

Leia o poema Pneumotórax, publicado por Manuel Bandeira, em 1930, no livro Libertinagem, e responda a questão proposta:PneumotóraxFebre, hemoptise, di...

#Regência Verbal e Nominal#Sintaxe
Questão 457941200583463Língua Portuguesa

Sobre o trecho “O evento, será realizado no dia 17 de junho de 2022, às 14 horas, no Auditório Central do MEC, em Brasília” (1º parágrafo), é INCORRET...

#Morfologia Verbal#Análise Sintática#Pontuação#Sintaxe#Emprego da Vírgula#Termos Essenciais da Oração
Questão 457941200609162Língua Portuguesa

Muitos adjetivos de língua portuguesa não podem ser empregados no grau comparativo ou superlativo, como é o caso do seguinte adjetivo sublinhado:

#Adjetivos#Morfologia
Questão 457941200912378Língua Portuguesa

O texto do artigo emprega, algumas vezes, uma variante coloquial de linguagem; os segmentos abaixo que apresentam uma variedade coloquial são:

#Análise Textual#Diversidade Linguística
Questão 457941200991751Língua Portuguesa

Voltar aos 17 anos, enrolar-se feito musgo na pedra e, (1) a maneira dos versos de Violeta Parra, ser frágil como um segundo. O cinema escolhe (2) a j...

#Uso da Crase
Questão 457941201662599Língua Portuguesa

TEXTO 2 FRAGMENTO DE A INVENÇÃO DO NORDESTE E OUTRAS ARTES DURVAL MUNIZ DE ALBUQUERQUE JÚNIOR | nasceu em 22 de junho de 1961, em Campina Grande, Para...

#Compreensão e Interpretação Textual#Análise Textual
Questão 457941201719961Língua Portuguesa

Quanto à tipologia textual e à classe de palavras, relativamente aos TEXTOS I e II, é correto afirmar que:

#Tipos Textuais#Análise Textual#Morfologia
Questão 457941201860202Língua Portuguesa

O terceiro parágrafo do TEXTO 1 pode ser reescrito sem prejuízos de sentido, EXCETO por:

#Compreensão e Interpretação Textual#Reescrita Textual#Análise Textual
Questão 457941201863276Língua Portuguesa

No texto há uma série de afrmações no terreno das probabilidades; a alternativa que apresenta um tipo diverso é:

#Análise Textual

Continue estudando

Mais questões de Língua PortuguesaQuestões sobre Categorias TextuaisQuestões do PR-4 UFRJ