Henrique traz sua esposa, Joceia, 32 anos, a consulta psiquiátrica.
“Eu não tenho nada, doutor. Ele que não aceita que eu seja
espírita.” Segundo Henrique, muito aflito e preocupado, sua
esposa começou há um ano a ter visões de pessoas e ouvir suas
vozes falando com ela. Joceia nunca foi religiosa, nem mesmo
acreditava em Deus. Mas pensou na possibilidade de ser médium.
Procurou um Centro de Umbanda, onde encontrou sentido nas
suas visões. “No início eu fiquei com medo, muito assustada,
pensei que estava ficando louca, li um artigo na internet sobre
tumores cerebrais. Até fui em um neurologista, que fez eletro,
ressonância... não achou nada. Quis me dar remédio de doido, eu
não aceitei. Porque eu sei que não ‘tava’ doida. Mas eu não tinha
mais paz, doutor. Era dia e noite falação na minha cabeça,
fantasma pelos cantos. Aí fui ao centro espírita e tudo se resolveu.
Descobri que sou médium. Estou aprendendo a deixar eles falarem
só na hora que posso atender. Voltei a ter paz. ”
Sobre o caso em tela, analise as seguintes afirmativas:
I. O diagnóstico psiquiátrico é baseado em uma semiologia da
experiência subjetiva, em primeira pessoa, e nem fenômeno
muito menos sua causa primeira não podem ser determinados
objetivamente. Neste contexto, a influência dos valores tende
a se sobressair no julgamento clínico. Quando há conflitos
entre valores, o papel dos mesmos se torna mais evidente e a
tomada de decisões mais complexa.
II. O DSM não nos permite aplicar um diagnóstico em
circunstâncias onde a cultura do indivíduo se harmoniza com
o fenômeno expressado. Por exemplo, espíritas e médiuns
que vêem e ouvem “espíritos” não podem ser diagnosticados
como psicóticos manifestando alucinações.
III. O que nos indica a sanidade mental de Joceia é a sua relação
com a experiência subjetiva: manteve um juízo crítico a
respeito do fenômeno, buscou uma explicação plausível para
o mesmo e ponderou sobre essa explicação de forma coerente
com a pluralidade de entendimentos sobre a realidade.
Está correto o que se afirma em: