Contardo Calligaris (1948-2021) foi um
psicanalista e escritor italiano que passou as últimas
décadas de sua vida radicado no Brasil. O seu
interesse pela cultura brasileira resultando num
grande conhecimento sobre a mesma, combinando
com um olhar de psicanalista estrangeiro fizeram
com que ele publicasse inúmeros artigos em que
abordando, entre outras coisas, a prática social
brasileira de denominar como doutores os
indivíduos pertencentes a algumas profissões,
dentre eles médicos, engenheiros e advogados,
mesmo na ausência da titulação acadêmica.
Segundo o autor, estes mesmos profissionais não se
apresentam como doutores no encontro com seus
pares, mas apenas diante de indivíduos de
segmentos sociais considerados subalternos, o que
indica uma tentativa de intimidação social, servindo
para estabelecer uma distância social, lembrando a
sociedade de castas.
No mesmo sentido, no ensaio Brasil, país do futuro
de quem?, Calligaris escreve o seguinte: “Se
penetramos no Éden, foi como ladrões de frutas”.
Sérgio Buarque de Holanda, em Raízes do Brasil,
define a posição do colonizador brasileiro com as
palavras “colher o fruto sem plantar a árvore”,
situando assim sua tipologia psicológica.”
(CALLIGARIS, Contardo. Brasil, país do futuro de
quem? IN: Hello, Brasil! E outros ensaios:
Piscanálise da estranha civilização brasileira. São
Paulo, Fósforo, 2021. Pág. 206)
As questões levantadas por Contardo Calligaris
abordam aspectos relacionados à formação e,
consequentemente, o tipo de estratificação social
que se apresentam no Brasil. Essas mesmas
questões também foram estudadas por sociólogos,
como por exemplo o sociólogo alemão Max Weber.
Muito embora em contextos diferentes, os
conceitos weberianos também podem ser utilizados
para entender a situação brasileira com relação à
estratificação. Sendo assim, de acordo com as
ideias weberianas sobre o tema, é correto afirmar
que: