Como as bicicletas transformaram o mundo
Se a história não se repete, ela certamente rima. O
coronavírus provocou um boom no transporte sobre duas
rodas em muitas partes do mundo.
Mas essa não é a primeira vez que as bicicletas são as
máquinas protagonistas do mercado: o advento da bicicleta
no final do século 19 transformou as sociedades em todo o
mundo.
Foi uma tecnologia extremamente revolucionária,
facilmente equivalente ao smartphone de hoje. Por alguns
anos inebriantes na década de 1890, a bicicleta era o que
havia de mais moderno — um transporte rápido, acessível e
elegante, que podia levá-lo a qualquer lugar que você
quisesse ir, a qualquer hora que quisesse, de graça.
Quase todo mundo podia aprender a andar de
bicicleta, e quase todo mundo aprendia. O sultão de
Zanzibar começou a andar de bicicleta. O mesmo aconteceu
com o czar da Rússia. O emir de Cabul comprou bicicletas
para todo o seu harém. Mas foram as classes média e
trabalhadora de todo o mundo que realmente se
apropriaram da bicicleta.
Pela primeira vez na história, as massas tinham
mobilidade, podendo ir e vir quando quisessem. Não havia
mais necessidade de cavalos e carruagens caras. O “cavalo
do povo”, como era conhecida a bicicleta, não era apenas
leve, econômica e de fácil manutenção, mas também era
rápida nas estradas.
Com isso, a sociedade foi transformada. As mulheres
ficaram especialmente entusiasmadas, descartando suas
incômodas saias vitorianas, adotando roupas mais leves e
pegando a estrada em massa. Com uma bicicleta, tudo
parecia possível, e pessoas comuns partiam em jornadas
extraordinárias.
(Fonte: National Geographic — Adaptado.)