Segundo Silva (2000), o trabalho do psicólogo nas Varas de
Família tem características e dinâmicas próprias, em que o
privado, representado pela família, mistura-se com o
estatal e o público, representado pelo Juiz de Família e o
perito psicólogo. Dentre as seguintes dinâmicas
psicológicas, qual não pode ser detectada nessa relação?
A As pessoas que recorrem à Vara da Família muitas
vezes projetam sobre o juiz a figura paternalista, de
autoridade, onipotente e sábio, para “resolver a
questão” no papel de julgador – no sentido de decidir
imediatamente o que é “certo” ou “errado”, quem
“tem” ou “não tem” razão.
B As pessoas e as famílias que recorrem à Vara de Família
fantasiam que encontrarão uma solução imediata e
mágica que resolva definitivamente seus problemas.
C O psicólogo nunca opta por ser a extensão do juiz, não
assumindo, concomitantemente, uma posição
detetivesca. Seguindo tal raciocínio, não se preocupa
com a realidade objetiva, não colhendo dados, nunca
contrapondo argumentos, apenas escutando
imparcialmente.
D Há psicólogos que absorvem as transferências
inconscientes das pessoas que os transformam em
“anjos vingadores” nos processos e, por despreparo ou
identificação, encampam as motivações e os
argumentos de apenas uma das partes, prejudicando a
imparcialidade necessária a uma perícia psicológica
séria e cometendo equívocos gravíssimos ao assumir
indevidamente o papel de “julgadores”.
E Quando o juiz encaminha o caso ao psicólogo,
delegando, portanto, a ele a tarefa de olhar e analisar a
questão sob outro enfoque além do meramente legal,
as pessoas em geral interpretam a situação como um
“outro julgamento”, transferindo ao psicólogo o papel
de “julgador” e “repórter do juiz”, e muitas vezes agem
de forma estereotipada e inautêntica, acreditando que,
se fizerem personagem de “bonzinho”, o juiz vai
conceder o “ganho de causa”.