Considere os Textos I e II sobre
empobrecimento de populações
Texto I
Desde o começo dos anos 1980, os programas
de “estabilização macroeconômica” e de
“ajuste estrutural” impostos pelo FMI e pelo
Banco Mundial aos países em desenvolvimento
(como condição para negociação da dívida
externa) têm levado centenas de milhões de
pessoas ao empobrecimento. Contrariando o
espírito do acordo de Bretton Woods, cuja
intenção era a “reconstrução econômica” e a
estabilidade das principais taxas de câmbio, o
programa de ajuste estrutural tem contribuído
amplamente para desestabilizar moedas
nacionais e arruinar as economias dos países
em desenvolvimento. O poder de compra
interno entrou em colapso, a fome eclodiu,
hospitais e escolas foram fechados, centenas
de milhões de crianças viram negado seu
direito à educação primária. Embora a missão
do Banco Mundial seja “combater a pobreza” e
proteger o meio ambiente, seu patrocínio para
projetos hidrelétricos e agroindustriais em
grande escala também tem acelerado o
processo de desmatamento e destruição do
meio ambiente.
CHOSSUDOVSKY, Michel. A Globalização da Pobreza. São
Paulo: Moderna, 1999, p. 26.
Texto II
O período no qual nos encontramos revela uma
pobreza de novo tipo, uma pobreza estrutural
globalizada, resultante de um sistema de ação
deliberada. Examinado o processo pelo qual o
desemprego é gerado e a remuneração do
emprego se torna cada vez pior, ao mesmo
tempo em que o poder público se retira das
tarefas de proteção social, é lícito considerar
que a atual divisão “administrativa” do trabalho
e a ausência deliberada do Estado de sua
missão social de regulação estejam
contribuindo para uma produção científica,
globalizada e voluntária da pobreza. [...] Essa
produção da pobreza aparece como um
fenômeno banal. [...] Mas é uma pobreza
produzida politicamente pelas empresas e
instituições globais. Estas, de um lado, pagam
para criar soluções localizadas, parcializadas,
segmentadas, como é o caso do Banco
Mundial, que, em diferentes partes do mundo,
financia programas de atenção aos pobres,
querendo passar a impressão de se interessar
pelos desvalidos, quando, estruturalmente, é o
grande produtor da pobreza.
SANTOS, Milton. Por Uma Outra Globalização. São Paulo:
Record, 2000, p. 72 e 73.
A leitura comparada entre os Textos I e II leva
à seguinte conclusão: