Dinheiro – considerado como expressão autônoma de uma soma
de valor, exista ela de fato em dinheiro ou em mercadorias –
pode, na base da produção capitalista, ser transformado em
capital e, em virtude dessa transformação, passar de um valor
dado para um valor que se valoriza a si mesmo, que se multiplica.
Produz lucro, isto é, capacita o capitalista a extrair dos trabalhadores determinado quantum de trabalho não-pago, mais-produto e mais-valia, e apropriar-se dele. Assim adquire, além do
valor de uso que possui como dinheiro, um valor de uso adicional, a saber, o de funcionar como capital. Seu valor de uso
consiste aqui justamente no lucro que, uma vez transformado
em capital, produz. Nessa qualidade de capital possível, de meio
para a produção de lucro, torna-se mercadoria, mas uma
mercadoria sui generis. Ou, o que dá no mesmo, o capital
enquanto capital se torna mercadoria.
(Marx, 1986, p. 255.)
Há dois séculos, em Trier, na Alemanha, nascia Karl Marx,
cujos trabalhos revolucionariam os campos de pesquisa da
filosofia, da ciência política, da sociologia e da economia de
meados do século XIX até os dias de hoje. Especificamente
sobre o capitalismo, sua formação e consolidação, Marx
afirma que: