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Em “Linhas de progresso na terapia psicanalítica”, Freud nos alertou para a necessidade de ampliar a prática da psicanálise para além dos limites dos consultórios, adequando a técnica para lidar com a vasta quantidade de sofrimento neurótico presente no mundo, sem comprometer a precisão e a seriedade que essa prática requer. Diante disso, considerando a adaptação da prática da clínica psicanalítica ao ambiente hospitalar, leia atentamente os itens a seguir:
I – O tratamento psicanalítico é conduzido a partir da associação livre, isso significa que o progresso da análise depende principalmente da maneira como o paciente se relaciona com o terapeuta, não necessariamente do ambiente físico em que ocorre a sessão. Portanto, no contexto hospitalar o setting analítico é construído no âmbito simbólico e não está relacionado a elementos como o divã, horário fixo das sessões e outros aspectos do ambiente clássico e pode ser estabelecido em qualquer lugar onde o psicanalista seja necessário, como o leito do paciente na enfermaria, a unidade de terapia intensiva, a sala de emergência ou mesmo durante uma reunião com a equipe médica.
II – O tempo transcorre no ritmo do subconsciente, muitas vezes restringido pela rotina hospitalar. As sessões psicológicas são breves, geralmente limitadas às entrevistas preliminares, porém seu impacto é significativo e pode gerar interesse em uma análise mais profunda. Frequentemente, o objetivo é aliviar a angústia, não necessariamente eliminá-la, mas sim simbolizá-la através da fala.
III – O psicanalista deve conduzir sua prática com a finalidade de aliviar a ansiedade do paciente, tranquilizálo conforme necessário, persuadi-lo a aderir ao tratamento médico ou facilitar a prática médica de várias maneiras, atuando no objeto desejante do paciente. Assim, o psicólogo será um facilitador do trabalho de elaboração psíquica, que produzirá um efeito de mudança de posição subjetiva, que inclui também o comportamento.