O diagnóstico da Hanseníase é essencialmente
clinico e epidemiológico, realizado por meio da
análise da história e condições de vida do paciente,
do exame dermatoneurológico, para identificar lesões
ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou
comprometimento de nervos periféricos (sensitivo,
motor e/ou autonômico). É INCORRETO afirmar:
A Os casos com suspeita de comprometimento
neural, sem lesão cutânea (suspeita de hanseníase
neural pura) e aqueles que apresentam área (s)
com alteração sensitiva e/ou autonômica
duvidosa e sem lesão cutânea evidente, deverão
ser encaminhados aos serviços de referência
(municipal, regional, estadual ou nacional) para
confirmação diagnóstica. Recomenda-se que
nessas unidades os casos sejam submetidos
novamente ao exame dermatoneurológico, à
avaliação neurológica, à coleta de material
(baciloscopia ou histopatologia cutânea ou de
nervo periférico sensitivo) e, sempre que possível,
a exames eletrofisiológicos e/ou outros mais
complexos para identificar comprometimento
cutâneo ou neural discreto, avaliação pelo
ortopedista, neurologista e outros especialistas
para diagnóstico diferencial com outras
neuropatias periféricas.
B A baciloscopia de pele (esfregaço intradérmico),
sempre que disponível, deve ser utilizada como
exame complementar para a classificação dos
casos MB. A baciloscopia positiva classifica o caso
como MB, independentemente do número de
lesões. Observe-se que o resultado negativo da
baciloscopia não exclui o diagnóstico de
hanseníase.
C A classificação operacional do caso de hanseníase,
visando o tratamento com poliquimioterapia é
baseada no número de lesões cutâneas de acordo
com os seguintes critérios: Paucibacilar (PB) –
casos com até 5 lesões de pele e Multibacilar
(MB) – casos com mais de 5 lesões de pele.
D O diagnóstico de hanseníase deve ser informado
ao paciente de modo semelhante aos diagnósticos
de outras doenças curáveis e se causar impacto
psicológico, tanto a quem adoeceu quanto aos
familiares ou pessoas de sua rede social, a equipe
de saúde deve buscar uma abordagem apropriada
da situação, que favoreça a aceitação do
problema, a superação das dificuldades e maior adesão aos tratamentos. Esta abordagem deve ser
oferecida desde o momento do diagnóstico, bem
como no decorrer do tratamento da doença e se
necessário após a alta por cura.
E Em crianças, o diagnóstico da hanseníase exige
exame ainda mais criterioso, diante da dificuldade
de aplicação e interpretação dos testes de
sensibilidade. Recomenda-se utilizar o “Protocolo
Complementar de Investigação Diagnóstica de
Casos de Hanseníase em Menores de 15 Anos”