Em países com histórico e tradição colonial como o
Brasil, os marcadores sociais das diferenças têm profunda
ancoragem na demarcação racial, sobre a qual agem as
dinâmicas e os processos político-sociais fundados no
racismo estrutural [...]. Olhar a pandemia sob a luz das
desigualdades raciais impõe-nos pensar não apenas os
números que as revelam, que sim, são importantes, mas
fundamentalmente sobre a trama, historicamente tecida,
que lhe confere estrutura, dinâmicas e práticas narrativas.
(OLIVEIRA et al., 2020).
Observe as afirmativas abaixo, em relação às intrínsecas
relações entre a COVID-19 e o quesito raça/cor, e avalie
se são verdadeiras (V) ou falsas (F)
I. A pandemia evidenciou a gravidade das condições
sócio-históricas de desigualdades, manutenção das
assimetrias e privilégios raciais do Brasil, intensificando
efeitos nocivos à saúde da população negra. Estudos
apontaram que a população negra sofreu mais severamente os impactos da pandemia, incluindo morte.
Essa constatação remete a uma das dimensões da necropolítica: há corpos classificados como descartáveis
e supérfluo.
II. A COVID-19, em seu espraiamento global de caráter
pandêmico, não apenas expôs as desigualdades, como
reatualizou e reificou as demarcações coloniais de base
racial, que são fundantes do mundo moderno, tendo na
delimitação Norte/Sul, sob o ponto de vista geográfico
e sociológico, uma de suas principais ancoragens.
III. No Brasil, “importado” pelas classes média e alta,
o vírus ajudou a construção de um discurso reverberado pela imprensa de que a COVID-19 seria uma
doença que atinge a todos, cujas consequências são
igualmente sentidas. Uma doença “democrática”. Tão
democrática que atingiu todas as regiões do país e
diversas populações igualmente, tornando-os todos
vulneráveis à contaminação, à infecção e a morte.
Sobre as afirmativas acima, pode-se dizer que: