Leia o texto, para responder à questão.
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, e
nada expõe mais a desigualdade do que o acesso à água e
ao esgoto.
Segundo o censo do IBGE, com dados de 2022, quase
50 milhões de brasileiros, 1/4 da população, não têm coleta
de esgoto. Quase 40 milhões despejam seus dejetos em fossas rudimentares ou buracos e cerca de 4 milhões em rios,
lagos ou no mar. Mais de 6 milhões de brasileiros não têm
acesso à água e dependem de caminhões-pipa ou água da
chuva, rios ou açudes sem o devido tratamento.
Para adicionar insulto à injúria, 1,2 milhão de crianças
estudam em colégios sem acesso à água potável.
Além da incidência de doenças diretamente relacionadas à exposição a ambientes sem saneamento (leptospirose,
disenteria, tifo, cólera), a falta de saneamento impacta o meio
ambiente, a produtividade do trabalho, o aproveitamento
escolar, os valores imobiliários e o turismo.
Essa tragédia humanitária não é uma consequência
natural da realidade socioeconômica do Brasil – o saneamento básico no País está bem abaixo da média de outros países
de renda média-alta e mesmo de renda média. Portanto, é só
incúria, pura e simples, do poder público.
O Marco do Saneamento, aprovado em 2020, buscou
reverter esse quadro, definindo metas para a universalização, obrigando a licitação para a escolha dos prestadores,
garantindo mais segurança jurídica à privatização das companhias estaduais, estimulando a prestação regionalizada de
serviços e conferindo à Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) o papel de padronizar a regulação e a
fiscalização dos serviços.
(Opinião do Estadão. Disponível em: <estadao.com.br/opinao>.
Acesso em 28.02.2024. Adaptado)