Leia o trecho a seguir.
“Todos os domingos, pela manhã, enquanto os outros homens
se reuniam no bar da esquina, ou iam para a várzea, ele ficava
no quintal, remexendo a terra. O quintal media 4 metros
quadrados, o máximo que a administração do conjunto
residencial fornecia. Ali, ele tinha alface, beterraba e couve.
Naquela manhã, ao passar o rastelo, sentiu alguma coisa
prendendo os dentes da ferramenta. Forçou, era resistente.
Abaixou-se e notou fios prateados que saíam da terra. Era arame
novo. Quando tinha revirado a terra para adubar, tinha cavado
fundo sem encontrar nada. Além disso, arame velho estaria
enferrujado. Tentou puxar o fio, estava bem preso. Buscou um
alicate, conseguiu pouca coisa. Cavou. O arame penetrava na
terra alguns metros. Cavou mais. Como é que tinham feito uma
coisa dessas da noite para o dia? Preocupado com a horta, parou
a pesquisa. Regou, um pouco, as sementes, pensando se o
arame não ia prejudicar a germinação.
No dia seguinte, levantou-se bem cedo, para observar. O
arame tinha crescido. Nos três canteiros, havia brotos de dez
centímetros de altura. Um araminho espigado, vivo, forte. Teria
sido um pacote errado de sementes? Não, era loucura. Semente
de arame? [...]”
BRANDÃO, Ignácio de Loyola. Os músculos. In: LADEIRA, Julieta de Godoy (org.).
Contos brasileiros contemporâneos. São Paulo: Moderna, 1994.
Assinale a alternativa que apresenta o tipo textual
predominante no trecho.