“Desde os anos 1990, as tradições expressivas do Congado
mineiro tornaram-se objeto de políticas culturais, sendo
analisadas com as categorias de cultura popular de matriz
africana e de patrimônio cultural de natureza imaterial.
Independente do recorte interpretativo, as tradições do Congado
atualizam uma carga de memórias traumáticas relacionadas à
experiência da escravidão africana. A abordagem dessas
memórias, pelos estudos sobre folclore e cultura popular, impõe
uma série de desafios aos agentes responsáveis por sua
patrimonialização, uma vez que implica reconhecer as relações de
alteridade que os recriadores do Congado (congadeiros)
estabelecem com seus ancestrais e divindades, e, portanto, com o
sofrimento do tempo do cativeiro”.
Adaptado de BOEING, R.; ABREU, R. “Memória e música nas tradições expressivas do
Congado mineiro”, in Portuguese Literary & Cultural Studies, 2021.
Com base no trecho, analise as afirmativas a seguir sobre a
relação de alteridade estabelecida pelos congadeiros com o
passado colonial.
I. Na ação cultural dos congadeiros, a alteridade
afrodescendente é positivada e torna-se oportunidade de
manifestação de memórias e experiências da riqueza da
própria herança cultural e da força de sua resistência
sociopolítica.
II. As tradições expressivas do Congado reinterpretam o
catolicismo com base em um sistema de crenças e
cosmovisão próprios das culturas da África Centro-Ocidental,
presentes nas estruturas rituais e elementos simbólicos.
III. Nos cantos, ritmos e danças que louvam Nossa Senhora do
Rosário e demais entidades, os congadeiros afirmam a sua
interpretação do mundo e do passado colonial brasileiro,
reelaborando simbolicamente a escravidão, o racismo e as
desigualdades sofridas.
Está correto o que se afirma em