Os reflexos da urbanização intensa sobre os processos hidrológicos têm evidenciado a limitação das soluções tradicionais de
drenagem urbana. Elas são pouco flexíveis e adaptáveis a mudanças de uso do solo, frequentes em processos intensos de
urbanização. Os gestores públicos, dessa forma, buscaram tecnologias alternativas ou compensatórias no trato dos
problemas de drenagem pluvial. Tais técnicas procuram compensar ou minorar os impactos da urbanização sobre o ciclo
hidrológico. Em relação a tais técnicas compensatórias em águas pluviais, é INCORRETO afirmar que:
A A definição do exutório da estrutura compensatória não é fator relevante, uma vez que a capacidade de tais sistemas em
receber escoamentos, eventualmente cargas mais significativas de poluentes de origem pluvial, entra no cômputo das
variáveis utilizadas na modelagem que preveem os volumes de água absorvidos pela vegetação ciliar nas Áreas de
Preservação Permanente (APPs) nos limites municipais.
B Em geral, as soluções baseadas em infiltração de águas pluviais não são adequadas a terrenos com elevada declividade,
podendo implicar em riscos de exfiltração e/ou de deslizamento de encostas. Terrenos de declividade elevada resultam
também em custos mais elevados para a implantação de bacias de detenção, uma vez que, muitas vezes, requerem a criação
de volumes de espera muito significativos, por meio de escavações, obras de proteção de taludes, barramentos com altura
elevada, obras de dissipação de energia hidráulica de grandes dimensões e custosas
C A criação de parques lineares ao longo de cursos d’água e, quando possível, a recuperação da mata ciliar são medidas
associadas a tratamentos de fundo de vale alternativos à canalização tradicional. Essas ações geralmente visam a
manutenção dos cursos d’água urbanos o mais próximo possível de seu estado original. São observadas também ações de
renaturalização de cursos d’água, recompondo-se leitos canalizados por meio de medidas que os assemelham a leitos
naturais; elas contemplam a reserva de áreas para comportar inundações, ao longo dos cursos d’água, e requerem esforços
de controle de poluição na bacia hidrográfica, como a eliminação de conexões cruzadas entre os sistemas pluviais e de
esgotamento sanitário e o controle da poluição difusa de origem pluvial.
D Entre as técnicas compensatórias não estruturais, a regulação do uso do solo estabelece restrições à taxa de impermeabilização das parcelas e estabelece recomendações para a criação de áreas verdes e de áreas destinadas à infiltração de
águas pluviais. Esse tipo de regulação contribui igualmente para promover a adoção de medidas, como a não conexão de
áreas impermeáveis à rede pluvial, permitindo reduzir volumes de escoamento e vazões elevadas nesses sistemas.