Uma unidade de medida de comprimento, que foi trazida
para o Brasil pelos portugueses e ainda é usada informalmente
em alguns lugares, é a légua. Elemento presente na cultura do
sertão nordestino, essa unidade aparece em poesias populares
e em letras de músicas, como Légua Tirana, de Luiz Gonzaga e
Humberto Teixeira:
Oh, que estrada mais comprida
Oh, que légua tão tirana
Ai, se eu tivesse asa
Inda hoje eu via Ana
Quando o sol tostou as foia
E bebeu o riachão
Fui inté o Juazeiro
Pra fazer minha oração
Tô voltando estrupiado
Mas alegre o coração
Padim Ciço ouviu minha prece
Fez chover no meu sertão
Varei mais de vinte serras
De alpercata e pé no chão
Mesmo assim, como inda farta
Pra chegar no meu rincão
Trago um terço pra Das Dores
Pra Reimundo um violão
E pra ela, e pra ela
Trago eu e o coração
(Légua Tirana – Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga,
Fonte: https://www.letras.mus.br/luiz-gonzaga/261214/ , consultado em 09/05/2022)
A distância de Exu, terra de Luiz Gonzaga, a Juazeiro do Norte,
terra de Padre Cícero, é de 80 Km, ou 12 léguas. Na letra da
Légua Tirana, o narrador diz, no verso destacado, que, para
fazer sua viagem ao Juazeiro, varou mais de vinte serras.
Suponha que para passar por uma serra um viajante precise
caminhar, em média, 3 léguas e que ele tenha, em sua
trajetória, passado por exatamente vinte serras. Com esses
dados, o valor aproximado, em quilômetros, da distância já
percorrida pelo narrador da poesia acima, é de: