Leia o texto a seguir.
A ideia de uma ciência moderna desenvolvida a partir do
século XVII esteve profundamente associada a dois pilares:
a matematização e a experimentação. Entendemos que
esses dois pilares estão estreitamente ligados à questão
dos instrumentos: se por um lado é por meio destes que se
permitiu observar a natureza e realizar os experimentos
necessários, por outro, aperfeiçoou a exatidão das
dimensões, das distâncias, e dos ângulos observados no
mundo natural.
Essa mudança de paradigma científico foi denominada
posteriormente pelos estudiosos das ciências
(historiadores, filósofos e sociólogos, principalmente) de
Revolução Científica.
Embora o entendimento de que a ciência era produzida
pelos grandes gênios de forma individual e praticamente
monástica já não encontre mais embasamentos na
bibliografia contemporânea, ainda tal questão se
apresenta com certa dificuldade. Ao considerar uma
determinada Revolução, geralmente associamos
personagens e muitas vezes instrumentos que
demonstrem a especificidade daquela ruptura. Podemos
tomar como exemplo a Primeira Revolução Industrial e sua
associação à máquina a vapor e a James Watts.
Em relação à Revolução Científica do século XVII, alguns
cientistas são comumente elencados como representativos
desse período, dentre os quais, destacamos Johannes
Kepler (1571 - 1630), Galileu Galilei (1564 - 1642) e Isaac
Newton (1643 -1727). Esses três cientistas possuíam uma
característica em comum: o uso, estudo ou
desenvolvimento de um instrumento científico específico:
o telescópio. Para o historiador das ciências italiano Paolo
Rossi, o telescópio está no rol dos mais importantes
instrumentos científicos desenvolvidos no século XVII,
juntamente com o microscópio, o termômetro, o
barômetro, a bomba pneumática e o relógio de precisão
[...].
DALL’OLIO, Rafael Luis dos Santos.
O Telescópio e a Revolução Científica do século XVII.
Khronos,
Revista de História da Ciência, nº 13, p. 45-60, junho de
2022. Disponível em:
https://www.revistas.usp.br/khronos/article/view/198661
/185420. Acesso em: 15 set. 2022.
Em relação à tipologia textual desse excerto, pode-se
afirmar que há o predomínio de passagens: