Texto CB2A1
Existem muitas formas de fazer ciência — na sala de aula,
na universidade, em grupos de pesquisa, institutos públicos, em
centros privados. Também é possível partir da própria ciência
para incentivar outras pessoas na trajetória científica, difundir o
conhecimento de pesquisadores, revelar seus achados e
descobertas. E pode-se fazer tudo isso junto. Mônica Santos
Dahmouche é um bom exemplo disso, como física, professora,
divulgadora científica, coordenadora da implantação do Museu
Ciência e Vida, incentivadora de feiras, olimpíadas e hackathons
de ciência e várias outras frentes, com um olhar especial para a
visibilidade feminina nas ciências.
“Eu imaginava que faria concurso para uma universidade,
teria meu grupo de pesquisa, orientaria alunos. Faço isso hoje,
mas de diferentes formas. Jamais tinha pensado em trabalhar em
um museu de ciências. Tem sido uma jornada maravilhosa”,
conta a professora.
Nos últimos anos, Mônica mergulhou em projetos
voltados a futuras meninas cientistas e à atuação diversa de
mulheres na área. “Desde 2018 me emociona e mobiliza poder
mostrar a elas a beleza de fazer ciência, especialmente ciências
exatas, mais desiguais em termos de equidade de gênero”, afirma.
A iniciativa já se transformou em exposições temáticas no
próprio Museu Ciência e Vida e na criação, com amigas também
cientistas, de uma rede de mulheres das áreas de ciências,
tecnologias, engenharias e matemática (STEM). O grupo já
gestou até um livro, Exatas é com elas: tecendo redes no estado
do Rio de Janeiro.
Seu motivo de orgulho mais recente é o podcast Mulheres
da Hora, idealizado por ela e produzido pelo Museu Ciência e
Vida e pela Fundação CECIERJ. A produção abrange histórias de
mulheres que se destacam em áreas como ciências exatas,
engenharia e computação.
“O objetivo é mostrar o que se pode fazer em uma carreira
de ciência e tecnologia, para além da docência na universidade ou
da pesquisa”, afirma. Seja qual for o caminho escolhido, ressalta
Mônica, uma formação de excelência é a base para voar.
Elisa Martins. De museu a podcast, a arte de divulgar ciência.
In: Ciência Hoje, n.º 418, mar./2025 (com adaptações).