Uma das questões mais complexas relacionadas ao sistema financeiro está associada aos fatores determinantes
das taxas de juros nas economias capitalistas. Na atualidade, a maioria dos Bancos Centrais consegue exercer o
controle sobre a taxa básica de juros de curto prazo, que é
considerada a taxa de política monetária (policy-rate), mas
não necessariamente sobre as taxas de juros de mercado, notadamente as de longo prazo.
No trecho seguinte, John Maynard Keynes, um dos formuladores da teoria da taxa de juros, faz um comentário
crítico a respeito do tema.
A teoria ortodoxa da taxa de juros pertence, na verdade, a um estágio de pressupostos de abstrações econômicas diferentes do que atualmente estamos utilizando. Isto porque [segundo Keynes] a taxa de juros
e a eficiência marginal do capital referem-se particularmente ao caráter indefinido de expectativas reais; elas
resumem o efeito, sobre as decisões de mercado dos
homens, de todo tipo de dúvidas vagas e de flutuantes
estados de confiança e coragem. Ou seja, elas pertencem a um estágio de nossa teoria no qual não estamos
mais supondo um futuro definido e calculável. A teoria
ortodoxa, por outro lado, refere-se a um mundo simplificado, em que sempre existe pleno-emprego e do qual
a dúvida e as flutuações de confiança são excluídas,
não havendo ocasião para manter saldos inativos, e no
qual os preços devem constantemente estar num nível que, apenas para satisfazer o motivo transacional e
sem deixar a qualquer excedente ser absorvido pelos
motivos de precaução e de especulação, faz com que
o estoque total de moeda valha uma taxa de juros idêntica à eficiência marginal do capital correspondente ao
pleno-emprego.
KEYNES, J. M. A teoria da taxa de juros. In: SZMRECSÁNYI, T.
(org.). John Maynard Keynes, Economia. Artigos selecionados
de John Maynard Keynes. São Paulo: Ática, 1978. p.160-166.
Adaptado.
De acordo com a teoria proposta por Keynes, as taxas de
juros de mercado são fortemente condicionadas pelo(a)