A ideologia do racismo propõe a desumanização de um
em contrapartida do privilégio do outro. Ele incide no negro no
que constitui seu sujeito, seu corpo, sua imagem, que é
sistematicamente desvalorizada. Em contrapartida, há um modelo
universal que está calcado no branco. Um modelo de beleza, de
afirmação da história, das produções universais. As humilhações
cotidianas vão produzindo marcas no negro. E, com a negação
sistemática do Brasil e do brasileiro em relação ao racismo, esse
sujeito também sofre algumas distorções na forma como ele
mesmo vê a realidade, questionando se aquilo que vive [o
preconceito] é real ou imaginário. O racismo, então, constitui um
sujeito que nem sempre dá conta de se apropriar das suas
percepções e de acreditar que essas percepções são reais. É aí que
o racismo vai produzir suas marcas, lacunas que afetam toda a
sociedade. É quase natural, até esperado, que toda vez que eu sair
de casa me depare com olhares atravessados, com uma recusa de
atendimento, com vigia em um supermercado. A escola também
desvaloriza esse sujeito por meio de um ensino que não apresenta
a História como ela foi de fato.
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