Creio que, em geral, deixando de lado a opinião dos
especialistas, damos demasiada importância à opinião dos outros,
tanto em assuntos cruciais quanto em assuntos de pequena monta.
A regra básica é que uma pessoa deve respeitar a opinião pública
apenas o suficiente para não morrer de fome nem ir para a cadeia.
Tudo o que passar desse ponto significa submeter-se
voluntariamente a uma tirania desnecessária, e, possivelmente,
isso é o que acaba interferindo na própria felicidade.
Examinemos, por exemplo, a questão de como as pessoas
gastam seu dinheiro. Elas o gastam naquilo que não satisfaz seus
gostos pessoais, simplesmente porque acreditam que o respeito
dos vizinhos depende de terem carro ou de abrirem suas
residências para jantares. Na verdade, uma pessoa que possa
claramente comprar um carro, mas que prefira gastar o dinheiro
em viagens ou numa boa biblioteca, acabará sendo muito mais
respeitada do que se houvesse feito exatamente como todas as
outras. Não há sentido em zombar deliberadamente da opinião
pública; isso é admitir seu domínio, ainda que às avessas. Mas ser
autenticamente indiferente a ela é uma força e uma fonte de
felicidade. E uma sociedade de homens e mulheres que não se
submetem demasiadamente aos convencionalismos é mais
interessante do que uma sociedade em que todos se comportam
da mesma maneira.
Bertrand Russell. A conquista da felicidade. Tradução: Luiz Guerra. 5. ed.
Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2017 (com adaptações).