No artigo "Trabalho em Equipe Interdisciplinar na Contemporaneidade: Limites e Desafios", de
Miranda e Mangini (2020), relata que apesar do reconhecimento da importância do trabalho em
equipe nos mais diversos espaços sócio ocupacionais, muitos obstáculos se colocam para sua
operacionalização, a começar pela ausência de referenciais teórico-práticos que permitam fazer
frente aos limites e desafios do trabalho nesse campo. O Assistente Social pode, a partir de sua
formação, contribuir para a realização do trabalho em equipe interdisciplinar e para a construção de
coletivos de trabalho mais comprometidos e solidários. Podemos afirmar sobre as contribuições do
assistente social para o trabalho em equipe interdisciplinar que:
I- Trata-se de uma mudança de posicionamento que se contrapõe às relações sociais de dominação e
exploração que são os modos pelos quais o trabalho está assentado no capitalismo. Essas relações
de poder se reproduzem no interior das instituições e das equipes tanto nas relações entre os
profissionais quanto com os usuários, a exemplo da estruturação horizontalizada dos processos de
trabalho, da igualdade atribuída às categorias profissionais com status econômico e social distinto.
II- O enxugamento no quadro de trabalhadores das organizações, o aumento do desemprego
conjuntural e estrutural e a crescente pressão por resultados conduzem à instabilidade e à
precarização das condições de trabalho, bem como, à fragilidade dos vínculos entre os
trabalhadores, comprometendo a qualidade do diálogo e do tipo de troca de conhecimentos
necessários para que se efetive um trabalho em equipe realmente interdisciplinar.
III- A interdisciplinaridade se torna um horizonte possível à medida que os profissionais de
distintas categorias profissionais percebem que a organização coletiva pode contribuir para angariar
melhores condições de trabalho e reordenar as relações de poder ante as chefias, ampliando suas
margens de autonomia.
IV- O trabalho em equipe interdisciplinar não faz com que se repense a maneira como os processos
de trabalho se desenrolam, e nem a conjuntura histórica e social ao qual os profissionais encontram-se submetidos, bem como a lógica destrutiva do capital que deturpa a ideia do trabalho em equipe
interdisciplinar para extração da mais-valia, interferindo diretamente nas possibilidades de
concretização plena desse método de trabalho.