Leia o fragmento a seguir.
“O mar está levemente encrespado e pequenas ondas
vêm bater na costa arenosa. O senhor Palomar encontra-se na praia, de pé, e observa uma onda. Não se pode dizer
que esteja absorto na contemplação das ondas. Não está
absorto, porque sabe muito bem aquilo que faz: pretende
observar uma onda e observa-a. Não está contemplando,
porque para a contemplação é necessário um
temperamento adequado, um estado de espírito
adequado e um conjunto de circunstâncias externas
adequadas; e apesar do senhor Palomar não ter qualquer
questão de princípio contra a contemplação, nenhuma
destas três condições se verifica no seu caso.”
CALVINO, Ítalo. Palomar (trad. Ivo Barroso). São Paulo:
Companhia das Letras, 1994[1983].
O vocábulo “absorto” empregado nesse fragmento
veicula, em tal contexto, um sentido de