A formação do Estado da Paraíba se deu por
processos econômicos, principalmente pelo papel do cultivo de
cana-de-açúcar e produção de açúcar nos engenhos. Leia o
trecho a seguir, escrito por Barbosa (2014, p. 62):
A exclusividade da cana era tamanha que os senhores
alimentavam superstições alimentares para inibir o consumo
de frutas pelos negros e moradores, verdadeiros tabus sobre
a comida, um policiamento moral aos bens que resultavam
em barreiras psicológicas contra a prática de comer frutas. De
tal maneira que o hábito alimentar do povo do Nordeste se dá
em torno do feijão com farinha. O “resto” é capricho, gulodice,
mistura. Açúcar de manhã dá lombriga; de noite, estraga os
dentes; melancia comida no mato dá febre; manga com leite é
veneno; cana verde dá corrimento. Estes e outros mitos foram
explorados por Josué de Castro em Fisiologia dos Tabus, na qual
se evidencia o poder de tais interdições na dieta da população,
o que evidencia a ganância do senhor de engenho em produzir
somente cana. O excesso de açúcar presente na mesa do
senhor, nos doces e guloseimas da culinária açucareira, em
decorrência da cultura da cana, culmina na incidência do diabete
nas famílias por gerações. Uma doença do metabolismo sobre
os ricos açucarados, mais fracos que os pobres, desprovidos de
tudo, expostos, mais do que estes, a tantas doenças provocadas
pela grande quantidade de açúcar em seus corpos.
O texto demonstra traços importantes das interações sociais
entre senhores de engenho e trabalhadores. As relações sociais,
neste contexto, foram impactadas por razões ideológicas e
culturais e criaram uma lógica colonial que perdura como
estrutura na nação brasileira até os dias atuais. Um dos efeitos
do ciclo do açúcar na sociedade: