No Brasil, o arcabouço conceitual/normativo
de interpretação da realidade agrária modificou-se
significativamente nas últimas décadas. Esse
processo, esteve ligado a questões políticas que
envolveram desde o golpe militar de 1964, às lutas
em torno da reforma agrária na década de 1980, à
construção do texto da Constituição Federal de
1988, à consequente regulamentação dos seus
dispositivos constitucionais referentes à reforma agrária e a outras reivindicações decorrentes da
conformação político-econômica mais recente. É
CORRETO afirmar que:
A O início da década de 1980, foi marcada por
reivindicações em defesa da reforma agrária, em que
entidades e movimentos sociais do campo tiveram
papel importante na organização das demandas pelo
acesso à terra, no qual, resultou no primeiro Plano
Nacional de Reforma Agrária (I PNRA). Tal plano, foi
validado e incorporado pelos setores representados
pela Confederação Nacional da Agricultura, Sociedade
Rural Brasileira e Sociedade Nacional da Agricultura.
B Mesmo a reforma agrária figurando no primeiro
plano nos embates políticos da época e com o início do
período pré-Constituinte, que construiria a nova
Constituição Federal, os proprietários de grandes áreas
de terras tiveram consenso da importância da
democratização do acesso à terra e formaram uma
frente em defesa do “direito coletivo de propriedade”,
cuja representatividade ficou ao cargo da União
Democrática Ruralista.
C A legislação agrária reafirma e ampara a existência
de latifúndios e minifúndios, enquanto partes
integrantes da realidade agrária brasileira, ao passo
que, tem sido desfavorável aos anseios dos
proprietários de terra e dos capitalistas a perpetuação
das tradicionais condições agrárias no Brasil.
D O que se verifica, no Brasil, é que nem todos os
proprietários de terra dedicam-se às atividades
agropecuárias, pois, o foco está direcionado para a
extração da renda da terra, a qual possibilita o
enriquecimento dos latifundiários, mesmo que nada
produzam. Essa é uma explicação para a manutenção
da existência do expressivo montante de área ocupada
por grandes propriedades improdutivas no Brasil, e
ilustra a permanência dos latifúndios na realidade
agrária do país.