Texto associado AS QUESTÕES DE 1 A 15 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO
O mercado de trabalho mudou e ele se impõe ao exigir um novo perfil de profissional: aquele que está em constante mutação. A crise, a recessão, o fechamento de postos de trabalho, a queda de contratações via CLT, a globalização, o aumento do empreendedorismo (muitos por necessidade), tudo isso se apresenta em um momento de transição em que é fundamental para o trabalhador buscar um novo modelo de carreira que o prepare para o futuro, que já bate à porta. Exceto áreas específicas, esqueça o tempo de ser especialista em uma única área da sua formação. Esse tempo acabou. Hoje, o profissional disputado pelas organizações é o que consegue ser multitarefa em um mercado em frequente mudança. Se ainda não enxergou que o cenário é outro, é melhor abrir os olhos. Amir El-Kouba, professor de gestão de pessoas em MBAs da Fundação Getúlio Vargas/Faculdade IBS e consultor empresarial, afirma que se tem algo de positivo em toda essa crise é que “foi feita uma releitura do mundo do trabalho por parte do profissional à revelia da nossa legislação trabalhista. Formaram-se MEIs (microempreendedor individual), profissionais se associando a outros profissionais para prestar serviço, contratos temporários, consultores, técnicos associados, enfim, uma nova reconfiguração”. [...] Qual é o de modelo de profissional que as empresas querem com a nova reconfiguração do mercado de trabalho durante e após a crise? Muitos especialistas dizem que nada será como antes. A globalização, há décadas, o avanço da tecnologia e a recessão se impõem para mudar o status quo. Do caos que vivemos e pelo qual passamos no Brasil (e o mundo também, desde a crise de 2008) nasce uma nova força de trabalho. Para Rúbria Coutinho, consultora em recursos humanos e desenvolvimento organizacional, após o período mais crítico, muitas organizações retomarão as contratações. Aliás, já há sinais de estabilização em boa parte delas em segmentos específicos. “No entanto, muitos profissionais que buscam oportunidade de recolocação estão passando por repetidas frustrações – há um grande número de profissionais competentes à disposição para proporcionalmente poucas ofertas de vagas. Assim, estão se movimentando para criar ou participar de espaços produtivos e alternativos porque precisam e querem trabalhar”, diz. [...] A verdade é que nunca é fácil para quem está no olho do furacão, que vive a transição. Dúvidas e inseguranças atingem tanto o profissional experiente quanto os jovens, que absorvem melhor as mudanças. “As novas gerações não sonham com o modelo de trabalho tradicional com estabilidade, benefícios, longas jornadas, ascensão de carreira dentro de uma única empresa, com as referências de sucesso profissional que tínhamos até então.” Para a consultora, o que vemos hoje é que boa parte dos jovens não esperam chegar ao final do curso para iniciar um projeto. São, de modo geral, superconectados, com bons conhecimentos em tecnologia, capacidade e repertório para lidar com novas soluções e até mesmo desenvolver soluções, produtos e serviços inovadores no mercado. “Tendem a ser mais flexíveis e dinâmicos, lidam com a instabilidade de forma mais natural e podem migrar de uma carreira para outra ao longo da vida em busca de experiências, novos desafios e pelo prazer. Percebo que são cada vez mais guiados por uma causa própria e não temem empreender.” Porém, lembra a especialista, o empreendedorismo requer muito mais que o desejo ou o que chamamos de aptidão. [...] Como será o mercado de trabalho do futuro? Não é matemática exata, mas já é possível prever novas demandas profissionais e qual rumo elas tomam, ainda que as transformações sejam inúmeras, distintas e ocorram em velocidade assustadora. “Não há uma resposta, só o futuro dirá, mas a dinâmica do mercado muda rápido e há profissões que podem não existir daqui a um tempo. Assim, a formação passa a ser um adendo da carreira profissional. É o engenheiro que abre um carrinho de brigadeiro ou muda para a área de finanças. O certo é que o redirecionamento já ocorre (e será cada vez mais comum) com frequência”, analisa Bruno da Matta Machado, sócio-diretor e headhunter da Upside Group. O Brasil é apontado como um dos países mais empreendedores do mundo, ainda que tenha muitos problemas e barreiras quanto à consolidação das milhares de iniciativas de novas empresas. Por outro lado, o empreendedor corporativo é um perfil cada vez mais procurado pelos gestores. “É o profissional bem-visto, o perfil desejado. No entanto, muitos profissionais acham que não se encaixam porque pensam que para empreender precisam abrir uma empresa. Mas ele pode ser um empreendedor dentro da empresa. Esse será o colaborador que traz como características a criatividade, é proativo, corre riscos, enfrenta o escuro, busca coisas novas e, por tudo isso, acaba sendo um curinga”, explica o headhunter. [...] “A tecnologia tem modificado drasticamente o mercado de trabalho. Segundo relatório publicado pelo Fórum Econômico Mundial, a economia mundial sentirá os efeitos da chamada “Quarta Revolução Industrial”, que promete ser muito mais rápida, abrangente e impactante que as anteriores. São muitas as novidades: computação em nuvem, internet das coisas, big data, robótica, impressão em 3D... O Fórum projeta que, até 2020, essas tecnologias vão eliminar 5,1 milhões de vagas em 15 países e regiões que respondem por dois terços da força mundial de trabalho, incluindo o Brasil. O mercado de trabalho atual exige características comportamentais para que os profissionais se adaptem à nova realidade: conhecimento do negócio, flexibilidade, saber trabalhar em equipe. Também é necessário ter uma visão geral de tudo que o cerca. Além disso, é fundamental estar inteirado da tecnologia. Todas essas mudanças devem ser absorvidas por todos que almejam obter sucesso no novo cenário. Bem-vindo, não mais à era de mudança, mas à mudança de era, talvez Darwin já soubesse de tudo isso lá atrás, quando disse que as espécies vivas que sobrevivem não são as mais fortes nem as mais inteligentes; são aquelas que conseguem se adaptar e se ajustar às contínuas demandas e desafios do meio ambiente.”
FONTE: https://www.em.com.br/app/noticia/economia/2017/04/26
“o que consegue ser multitarefa em um mercado em frequente mudança.” (L.6)
O termo “o ”, que aparece destacado em negrito, possui o mesmo valor morfológico que o termo da alternativa