No Brasil, a preocupação com os “vazios demográficos”,
isto é, com grandes áreas, em geral de fronteira, com baixo
índice demográfico e pouco integradas às demais regiões
do país, esteve presente em diferentes governos durante
o século XX. Segundo a pesquisadora Rosana Ravache,
o projeto nacional de ocupação do centro-oeste durante o
governo do General Ernesto Geisel baseava-se na
falta de terras no sul do Brasil, cuja estrutura fundiária estava esgotada e esse era o principal impasse
para solucionar os problemas da reforma agrária; na
necessidade de ocupar as áreas de fronteira, a título
de proteção territorial; e na urgência de povoar aquelas grandes áreas do país, cujos índices demográficos
eram muito baixos. [...]. Os militares visavam “vender”
a baixo custo áreas mato-grossenses consideradas
anecúmenas [desocupadas], principalmente para os
agricultores dos estados do sul do Brasil. [...] Quando a
ditadura militar usou o slogan “terra sem homens para
homens sem terra”, cometeu duas veleidades. Uma foi
ignorar a população autóctone porque, apesar da baixa
densidade demográfica, ali vivia um número expressivo
de índios e caboclos que foram deslocados ou mortos
para dar lugar aos colonos ou empresas colonizadoras
que “lotearam” boa parte da região amazônica. A outra
foi imaginar que a questão da reforma agrária no Rio
Grande do Sul, Paraná e em Santa Catarina se resolveria, simplesmente deslocando aquelas pessoas para o
meio da selva, em condições precárias de sobrevivência, esperando que elas transformassem e urbanizassem, sem qualquer apoio, as áreas para as quais foram
destinadas.
RAVACHE, R. L. Lucas do Rio Verde: um caso de sucesso no
planejamento urbano. In: MAGAGNIN; CONSTANTINO; BENINI.
Cidade e o planejamento da paisagem. Tupã: Anap, 2019, p.
95-97. Adaptado.
Segundo a pesquisadora, as políticas de Estado de ocupação de Mato Grosso