Poderíamos dizer que a Reforma Psiquiátrica iniciou seu percurso na década de 70, durante a ditadura
militar, época em que a medicalização era o modelo básico de intervenção. O poder centralizador
do hospital psiquiátrico e o elevado índice de internações passaram a ser consideradas as causas
estruturais das condições desumanas a que eram submetidos os pacientes psiquiátricos. A forte
recessão, derivada da política econômica que obedecia a grupos de pressão internacionais, tinha
como consequência a precariedade do trabalho, a acelerada baixa da renda familiar e o índice
alarmante de miséria absoluta, o que exigia maior atenção da saúde. Paralelamente, percebia-se a
falta de recursos especialmente no aparato dos serviços sanitários onde havia ainda, o clientelismo
na esfera pública, o investimento da rede privada –favorecendo o desmonte da coisa pública – e
o pouco interesse do poder legislativo em valorizar as políticas sociais. Todos esses são fatores
que contribuíram para a ineficácia e a não resolução dos serviços, como comenta Merhy (1997:125)
Ferreira, Gina. A despeito deste tema pode-se dizer: