Leia o texto abaixo e depois responda à questão.
Sabidamente, a Polícia é um dos poucos órgãos públicos, talvez o único, que está presente no
cotidiano das pessoas, durante 24 horas por dia e que se presta a não só atender às demandas criminais,
mas também assistir o cidadão, de forma imediata e emergencial, em seus momentos de dificuldade e
angústia. Diariamente, em qualquer lugar e momento, ela é chamada a intervir sempre quando “algo que
não deveria estar acontecendo está acontecendo e alguém deve fazer algo a respeito agora” e já!
(BITTNER apud PROENÇA JÚNIOR; MUNIZ, 2007, p. 233, grifo dos autores).
No imaginário social, em função da ampla difusão da mídia, as pessoas acreditam que a polícia lida
mais com questões criminais e, sobretudo, com as mais violentas (homicídios, assaltos, tiroteios e
sequestros), consideradas de maior gravidade e mais ameaçadoras. Tal concepção, conforme observa Jorge
da Silva (2003), muito influencia um maior sentimento de insegurança na sociedade e também reforça
na polícia e no policial a ideia de que deve ser priorizado o combate aos crimes, especialmente os de
maior potencial ofensivo, em detrimento das questões menores.
Como consequência desse paradigma repressivo e militar, segundo define Jorge da Silva
(2003), temos um policial de rua mais treinado para o enfrentamento e a ação (patrulhamento,
abordagem, busca, imobilização, confronto, captura, escolta e custódia) do que para o diálogo, a
mediação ou a conciliação.
Na eclosão de conflitos interpessoais, muito comuns as ocorrências criminais de menor
potencial ofensivo e não criminais, verifica-se a dificuldade dos policiais no tratamento dessas
questões de forma equilibrada, quando, por inabilidade, fazem uso da força e não do diálogo para
solucionar os problemas. Quando a palavra é usada, geralmente, é para advertir, disciplinar, moralizar,
informar, orientar, aconselhar, arbitrar ou intimidar. Muitas vezes, qualquer questionamento de alguma
das partes é interpretado como um ato de desacato.
A pesquisa revelou que o maior volume dos casos vivenciados pelo policial de rua é, nesta ordem,
de natureza não criminal e criminal de menor potencial ofensivo. Nesse sentido, indaga-se: como os
policiais lidam com essas situações que, muitas vezes, demandam mais preparo para tomada de decisão,
poder de articulação e capacidade de diálogo? Que procedimentos eles têm adotado para administrá-las?
Quais se mostram mais complicadas? Quais os fatores que mais dificultam sua intervenção? (SILVA,
Washington França da. Mandato policial na prática: procedimentos policiais no atendimento às ocorrências
criminais e não criminais. Revista Brasileira de Segurança Pública - Ano 4 Edição 6 Fev/Mar 2010).