Com uma trama intensa e provocações perturbadoras
sobre a convivência escolar e digital dos jovens, a minissérie
Adolescência (Netflix, 2025) dominou os debates nas redes
sociais. Para além da ficção, a produção escancara dilemas
da juventude contemporânea, desde o impacto das relações
virtuais até os problemas das relações escolares. Mas como
responsáveis e educadores podem lidar com esses desafios?
Raul Alves de Souza, doutor em Educação Escolar pela
UNESP e membro associado ao Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Moral da UNICAMP/UNESP, alerta para o
papel essencial da escola na formação social, moral e emocional dos estudantes. Segundo ele, os desafios enfrentados
pelos adolescentes atualmente são mais complexos do que
os das gerações passadas, e a solução passa, necessariamente, por mais diálogo, planejamento e formação dos professores para lidar com essas questões. Em entrevista, o
educador defende:
“A escola é responsável pela formação sociomoral e
emocional dos alunos e pelas questões da saúde mental.
Ela sempre foi e sempre será. Trata-se de um lugar que, por
excelência, permite que os alunos convivam e criem laços
sociais. Isso deve ser olhado pela escola de maneira concreta e objetiva, estabelecendo ações planejadas e intencionais
que visam a melhoria da qualidade da convivência dentro do
seu âmbito. Na série, fica claro o quanto a escola falhou nesse aspecto. Convivência escolar bem planejada é pré-requisito para saúde mental e relações mais saudáveis.
Lidar com situações de conflitos, indisciplina, bullying,
entre outros problemas de convivência existentes dentro da
escola é parte da tarefa de educar. A grande questão é o
quanto nós, professores, estamos preparados para lidar com
esses problemas.”
(Tatiane Calixto. “Adolescência: quais alertas a minissérie traz para pais e
escolas?”, 02.04.2025. Disponível em: https://novaescola.org.br/. Adaptado)