“Eu existo. Eu mereço o meu registro.” Com esse mote, o Poder
Judiciário do Maranhão deu início, na manhã desta segunda-feira, 8, no Fórum de São Luís, à “Semana Nacional do Registro
Civil” – de 8 a 12 de maio – com a campanha “Registre-se!”, e
ações voltadas a garantir a Certidão de Nascimento entre a população menos favorecida.
(Disponível em: <https://www.tjma.jus.br/midia/portal/noticia/
510012/judiciario-abre-semana-nacional-do-registro-civil-nomaranhao>Acesso em: 05/2023.)
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas
verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam
cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas
como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem
progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma
sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos
galhos pelados da catinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar,
Sinhá Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o
baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas. Record.)
A realidade concernente à questão da invisibilidade social
para aqueles privados de direitos de cidadania é um processo sobre o qual há discussões e ações atuais e reais em
andamento. Sobre o tema referido anteriormente, o texto
do modernista Graciliano Ramos: