Na segunda metade do século XVIII, os
escritores da primeira fase do Romantismo
elevaram, de maneira completamente
idealizada, o indígena e a natureza à condição
de personificadores da beleza e do poder da
pátria (quando, na verdade, os nativos
continuaram vítimas de uma exploração
desumana no momento em questão). Sem
desconsiderar o lapso temporal, hoje, nota-se
que, apesar das conquistas legais e jurídicas
alcançadas, a exaltação dos indígenas e dos
demais povos tradicionais não se efetivou no
cenário brasileiro e continua restrita às prosas e
às poesias do movimento romântico. A partir
desse contexto, é imprescindível compreender
os maiores desafios para uma plena valorização
das comunidades tradicionais do Brasil. Nesse
sentido, é inegável que o escasso interesse
político em assegurar o respeito à cultura e ao
modo de vida dessas populações tradicionais
frustra a valorização desses indivíduos. Isso
acontece, porque, como já estudado pelo
sociólogo Boaventura de Souza Santos, há no
Brasil uma espécie de “Colonialismo insidioso”,
isto é, a manutenção de estruturas coloniais
perversas de dominação, que se disfarça em
meio a avanços sociais, mas mantém a camada
mais vulnerável da sociedade explorada e
negligenciada. Nessa perspectiva, percebe-se o
quanto a inviabilização dos povos tradicionais é
proposital e configura-se como uma estratégia
política para permanecer no poder e fortalecer
situações desiguais e injustiça social.
MOURA, C. B. de Souza. Redação nota
1000 – Enem 2022. Reprodução: FPTV,
YOUTUBE. <Disponível em:
https://www.youtube.com/watch?v=mI
9sbq-B7xI&t=4969s> Acesso em: 15 de
mai. de 2023 (Adaptada).
O texto apresenta os desafios para a plena
valorização das comunidades tradicionais do
Brasil marcado pelo(a):