Nosso ensino inferior
Não é para entrar em depressão, mas também não é para
comemorar. Nos dois testes internacionais a que foi submetido
esta semana – o do ensino médio e o do superior – o nosso
sistema educacional não foi totalmente reprovado e até
melhorou, mas também não “
passou" com louvor. Sob certos
aspectos, o desempenho foi medíocre. No primeiro exame, o
Pisa, que avalia alunos de 15 anos de 65 países, o Brasil foi o que
mais avançou em matemática entre 2003 e 2012, mas mesmo
assim continua lá atrás, ficou em 58º lugar e, em leitura, foi pior,
caiu dois pontos para a 55ª colocação. Em Ciências, permaneceu
onde estava, na 59ª posição. O ministro da Educação, Aloizio
Mercadante, considerou o resultado “
uma grande vitória", mas o
responsável pelo Pisa, Andreas Schleicher, acha que temos que
“
acelerar muito o ritmo de melhoria", investindo mais em
professores e dando aos alunos pobres melhores escolas, para
não continuar fazendo feio.
Se as conclusões do Pisa comportam interpretações que
podem ser mais ou menos pessimistas, os dados referentes à
educação superior não deixam dúvidas: foram péssimos. [....]
A nossa má performance não pode ser atribuída à falta de
representação. O ensino superior brasileiro é composto por 2.377
instituições, das quais 85% são faculdades, 8% são universidades,
5,3% são centros tecnológicos e 1,6 são institutos tecnológicos.
O nosso problema, portanto, não é de quantidade, mas de
qualidade.
(Zuenir Ventura, O Globo, 07/12/2013)