Se eu tivesse nascido no circo, não me machucaria este siso, doendo agudo na alma. Desprezaria a abstrata necessidade de dar certo na vida e não faria nada. Aprenderia a domar pulgas, engolir fogo, adestrar poodles, fazer contorcionismo. Dependuraria os sonhos no mais alto trapézio, enfiaria o tédio na jaula dos ursos. Usaria minhas habilidades para equilibrar facas na língua ou entreter o público. Se eu tivesse nascido no circo, não teria desejos imediatos ou deveres inadiáveis. Deixaria cada coisa entregue a seu destino.
(BORGES, Kátia. Malabarismo. In: SOUZA, Adelice (et. al.). Autores baianos: um panorama. Salvador: P55 Edições, 2013. p. 75. Disponível em:
Uma redação alternativa, em prosa, para um segmento do texto, em que se mantêm a correção e a lógica é: