Leia o texto a seguir para responder à questão.
Sumiço de ossos em tumba de 5,5 mil anos na
Suécia intriga arqueólogos
Uma das câmaras mortuárias de pedra mais
antigas da Suécia foi escavada por arqueólogos
em Tiarp, perto da cidade de Falköping. Mas os
pesquisadores notaram que algumas partes das
pessoas enterradas no túmulo estão ausentes,
como crânios e ossos da coxa. Os arqueólogos
ficaram intrigados com esse sumiço – ainda mais
porque estimam que a tumba de 5,5 mil anos
permaneceu intocada desde a Idade da Pedra.
Eles registraram os achados em 22 de dezembro
de 2023 no periódico Journal of Neolithic
Archaeology.
As escavações ocorreram no ano passado e foram
conduzidas por especialistas da Universidade de
Gotemburgo, na Suécia, e da Universidade de
Kiel, na Alemanha. “É um túmulo antigo que
remonta ao período Neolítico Inicial, por volta de
3500 a.C.”, diz o arqueólogo Karl-Göran
Sjögren, em comunicado. Os especialistas
acreditam que os crânios e ossos desaparecidos
podem ter sido removidos do túmulo em rituais
funerários. Mas, segundo Sjögren, essa hipótese
ainda não foi estudada.
Tumba diferenciada
Uma análise do material da tumba revelou que o
local contém ossos das mãos e dos pés, além de
fragmentos de ossadas das costelas e dentes. Mas
há pouquíssimos crânios e ossos maiores, como
os da coxa e do braço. “Isso difere do que
geralmente vemos em túmulos megalíticos, ou
seja, câmaras mortuárias de pedra do período
Neolítico”, avalia Sjögren. “Normalmente, os
ossos ausentes são os menores das mãos e dos
pés”.
Outro diferencial do túmulo é a forma com que
foi construído, segundo o arqueólogo. “Há uma
pequena saliência em cada extremidade. Isso é
algo único entre túmulos em Falbygden”, ele diz.
Em Falbygden, uma área geográfica de
Falköping, há mais de 250 túmulos de passagem
que são construídos com blocos de pedra e datam
de cerca de 3,3 mil a.C. “Mas este dólmen é mais
antigo”, observa o especialista. “É cerca de 200 a
150 anos mais velho do que os túmulos de
passagem, tornando-o uma das câmaras
mortuárias de pedra mais antigas da Suécia e de
toda a Escandinávia”.
Quem eram os mortos?
Torbjörn Ahlström, professor de Osteologia na
Universidade de Lund, na Suécia, avaliou as
descobertas e concluiu que os ossos são de pelo
menos doze pessoas, incluindo crianças e idosos.
Mas os arqueólogos ainda não sabem por que
esses indivíduos morreram. “Não encontramos
lesões nas pessoas enterradas, então não
acreditamos que haja violência envolvida”, diz
Sjögren. “Mas continuamos a estudar o DNA
deles, o que mostrará se tinham alguma doença.”
Apesar de não saberem ainda como a vida dessas
pessoas acabou, os arqueólogos supõem que elas
viveram da agricultura. A prática agrícola chegou
a Falbygden por volta de 4 mil a.C., ou seja, cerca
de 500 anos antes de o túmulo em Tiarp ser
construído. “Eles viviam cultivando grãos e
criando animais, consumindo produtos lácteos”,
diz o arqueólogo.
Revista Galileu. (Adaptado). Disponível em <https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueo
logia/noticia/2024/01/sumico-de-ossos-emtumba-de-55-mil-anos-na-suecia-intrigaarqueologos.ghtml>