Em conhecido trecho da Teoria Geral do Emprego, do
Juro e da Moeda, Keynes expõe as dificuldades de se
estabilizarem as taxas de juros de mercado em situações
de crise.
Um aumento da taxa monetária de juros retarda a produção de riquezas em todos os ramos em que ela é
elástica, sem estimular a produção da moeda (que, por
hipótese, é perfeitamente inelástica). A taxa monetária de juros, determinando o nível de todas as demais
taxas de juros de mercadorias, refreia o investimento
para produzir essas mercadorias, sem poder estimular
o investimento necessário para produzir moeda que,
por hipótese, não pode ser produzida [...]. Quer isso
dizer que o desemprego aumenta porque as pessoas
querem a Lua; os homens não podem conseguir emprego quando o objeto de seus desejos (isto é, o dinheiro) é uma coisa que não se produz e cuja demanda não
pode ser facilmente contida. O único remédio consiste
em persuadir o público de que Lua e queijo verde são
praticamente a mesma coisa, e a fazer funcionar uma
fábrica de queijo verde (isto é, um Banco Central) sob o
controle do poder público.
KEYNES, J. M. Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda.
São Paulo: Nova Cultural, 1996, p.229. Adaptado.
No trecho mencionado, Keynes reconhece o papel do
Banco Central na estabilização da economia nos períodos
que se seguem às crises monetário-financeiras. Apesar
disso, o autor não viveu para testemunhar as políticas monetárias não convencionais, como as taxas de juros nominais próximas de zero (Zero Lower Bound) e as políticas
de afrouxamento monetário (Quantitative Easing - QE),
adotadas pelo Banco Central dos Estados Unidos
(Federal Reserve Bank - FED) e pelo Banco Central Europeu, nos anos imediatamente após a crise financeira
global de 2008.
Com respeito ao QE, o principal objetivo do FED e do
Banco Central Europeu, alinhado com a concepção de
Keynes sobre a determinação das taxas de juros, foi