Microplásticos são descobertos pela 1ª vez em
vestígios arqueológicos
Dezenas de partículas de plástico foram
encontradas em coletas atuais e em amostras
extraídas do solo na década de 1980 em dois
sítios arqueológicos em York, Inglaterra
Nos últimos anos, uma série de estudos têm
evidenciado a presença de microplásticos no
oceano, no ar e até mesmo no organismo
humano. Agora, pesquisadores descobriram que
esses pequenos materiais estão contaminando
também vestígios arqueológicos retirados do
solo.
Uma pesquisa publicada em 1º de março na
revista Science of The Total Environment
identificou em coletas de solo 66 partículas de 16
tipos de polímeros de microplástico. “O que
antes se acreditava serem depósitos
arqueológicos puros, prontos para investigação,
estão, na realidade, contaminados por plástico”,
afirma em comunicado o arqueólogo John
Schofield, da Universidade de York, no Reino
Unido.
Os microplásticos são partículas de plástico com
tamanho entre 1 micrômetro (milésimo de
milímetro) e 5 milímetros. A sua origem é
diversa: podem estar em itens de higiene pessoal,
cosméticos, garrafas PET, celulares e roupas.
Os pesquisadores analisaram amostras de dois
períodos: as mais antigas são datadas dos séculos
1 ou 2 e foram retiradas do solo na década de
1980, em dois sítios arqueológicos de York, a
uma profundidade de mais de 7 metros. Já as
demais foram coletadas na contemporaneidade
em regiões próximas de onde ocorreram as
escavações no passado.
“Nós pensamos nos microplásticos como um
fenômeno moderno, já que só temos ouvido falar
deles nos últimos 20 anos”, contextualiza David
Jennings, pesquisador da Universidade de York.
Ele explica que há duas décadas, no ano de 2004,
o professor Richard Thompson revelou que
microplásticos estavam em águas marítimas
desde 1960, em decorrência da grande produção
de plástico após a Segunda Guerra Mundial.
“Esse novo estudo mostra que as partículas se
infiltraram em depósitos arqueológicos. E, como
no caso dos oceanos, isso provavelmente está
acontecendo há um período similar,
considerando que partículas foram encontradas
em amostras de solo retiradas e arquivadas em
1988, de Wellington Row, em York”, sugere
Jennings.
Os achados inéditos levantam questionamentos
sobre o impacto dos microplásticos em materiais
estudados por arqueólogos. Acredita-se que essas
partículas podem afetar a química do solo e
prejudicar a preservação de resquícios
importantes.
Assim, surge uma dúvida: será que preservar
amostras arqueológicas in situ continua sendo a
abordagem mais adequada? “Daqui para frente,
tentaremos descobrir até que ponto essa
contaminação compromete o valor de evidência
desses depósitos e qual a sua importância
nacional”, comenta Schofield.
Revista Galileu. Disponível em
<https://revistagalileu.globo.com/ciencia/arqueo
logia/noticia/2024/03/microplasticos-saodescobertos-pela-1a-vez-em-vestigiosarqueologicos.ghtml>