No primeiro volume de sua trilogia “A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura” (2000), antes de dar início à sua
extensa análise dos efeitos da revolução das tecnologias da
informação, Castells procura identificar os fatores que transformam o desenvolvimento de uma nova tecnologia em uma revolução tecnológica. Restringindo o escopo de sua análise aos
últimos 250 anos, julga ser importante fazer um levantamento
dos aspectos invariantes daquelas que vê como as duas Revoluções Industriais: a desencadeada no final do século XVIII pela
descoberta da energia a vapor e aquela gerada, na segunda
metade do século XIX, pela invenção da energia elétrica. Segundo
ele, entre as duas há muitas diferenças que, pelo próprio fato de
serem cruciais, ressaltam os aspectos que ambas têm em comum.
E são exatamente as características partilhadas por diferentes
revoluções geradas por diferentes desenvolvimentos tecnológicos que, a seu ver, oferecem subsídios preciosos para uma compreensão da lógica das revoluções tecnológicas. Entre essas,
destacam-se as seguintes: uma transformação tecnológica em
aceleração e sem precedentes em comparação com os padrões
históricos; a difusão das novas tecnologias por todo o sistema
econômico; e, a penetração dessas mesmas tecnologias em
todo o tecido social.
(Castells, M. 2000.)
A industrialização na Inglaterra foi muito mais do que o fruto
de uma revolução técnica e científica. Se pensarmos na sua
espacialidade e temporalidade, percebemos que sua abrangência é imensa. Em relação mais especificamente às questões
do trabalho: