Leia o texto a seguir para responder à questão.
Em resposta à crise do atual modelo agroindustrial dominante, que produz em larga escala para consumo em massa, o abastecimento de alimentação escolar com produtos
frescos e orgânicos oriundos da agricultura local e familiar
é uma promessa para uma transição ecológica para novos
modelos de produção, os chamados Sistemas Agroalimentares Alternativos, que causam menor impacto ambiental. Essa
foi a constatação de uma pesquisa da Escola Superior de
Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em parceria com
uma universidade da França, que analisou duas leis, uma
brasileira e outra francesa, de incentivo ao abastecimento
sustentável de escolas.
Os Sistemas Agroalimentares Alternativos surgiram nos
anos 2000 e correspondem a diferentes iniciativas que se
caracterizam por práticas agrícolas de comercialização e de
consumo que buscam soluções para os problemas causados
pelo sistema agroindustrial vigente.
A agroecologia, por exemplo, inclui a substituição do uso
de agrotóxicos e adubos químicos por insumos naturais e
orgânicos em suas produções, e os agricultores devem estar
comprometidos com inúmeros procedimentos técnicos, que
vão desde a conservação do solo e o manejo ecológico de
pragas e doenças à destinação adequada de resíduos sólidos.
Além da questão agrícola, os Sistemas Agroalimentares
Alternativos propõem a construção social de um mercado
orgânico agroecológico, que privilegia agricultores locais e
familiares em pequenas propriedades rurais próximas a grandes regiões metropolitanas, de forma a diminuir a distância
entre quem produz e quem consome.
O estudo franco-brasileiro foi baseado na análise comparativa de duas leis que apoiam a agricultura alternativa,
uma do Brasil e outra da França, países agroexportadores
e cuja balança comercial tem se mantido equilibrada pelo
setor agrícola. Um dos objetivos do estudo foi compreender em que medida as políticas públicas que incentivam o
abastecimento sustentável das escolas contribuem para a
mudança do modelo agroindustrial para sistemas agroecológicos alternativos.
(Ivanir Ferreira. Jornal da USP. 30.04.2024. Adaptado)