Uma Unidade Básica de Saúde (UBS) apresenta
indicadores preocupantes relacionados ao manejo da
hipertensão arterial sistêmica, com taxas elevadas de
descompensação e baixa adesão ao tratamento. A
gestão local decide implementar uma estratégia de
Educação Permanente em Saúde (EPS) para qualificar o
cuidado a essa condição. Considerando os princípios e a
concepção da EPS estabelecidos na Política Nacional de
Educação Permanente em Saúde, qual das abordagens
a seguir representa corretamente essa estratégia?
A Realizar um seminário teórico único sobre
hipertensão arterial com palestrantes convidados,
focado na apresentação de evidências científicas
atualizadas, sem espaço para discussão das práticas
cotidianas ou para elaboração de estratégias locais
de enfrentamento dos problemas identificados pelos
profissionais em sua realidade assistencial.
B Promover um curso de atualização sobre as
Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial com
metodologias tradicionais de ensino, ministrado por
especialistas externos e destinado exclusivamente
aos médicos da unidade, com conteúdo padronizado
e avaliação final por meio de prova escrita para
verificação do conhecimento teórico adquirido.
C Organizar um programa de capacitação técnica
fragmentada por categoria profissional, com
cronograma pré-definido pela gestão central sem
participação dos trabalhadores na definição dos
conteúdos, focado exclusivamente na prescrição
medicamentosa e em procedimentos técnicos
isolados, desconsiderando determinantes sociais e
trabalho em equipe.
D Implementar um protocolo clínico elaborado por
consultores externos segundo diretrizes
internacionais, sem adaptação à realidade local,
acompanhado de um sistema de supervisão
hierárquica rígida para garantir a adesão dos
profissionais às condutas padronizadas,
independentemente do contexto de vida dos usuários
e das características da comunidade.
E Constituir um grupo de trabalho multiprofissional da
própria UBS para analisar criticamente o processo de
trabalho no cuidado aos hipertensos, identificar
problemas locais como barreiras de acesso e falhas
na linha de cuidado, construir um plano de
intervenção contextualizado às necessidades
territoriais e implementar mudanças nas práticas
assistenciais de forma integrada com a gestão,
serviço, ensino e controle social.